Estevam Scuoteguazza
Estevam Scuoteguazza

Ex-secretário de Campinas diz que não exitem provas contra ele

Francisco de Lagos é acusado pelo Ministério Público de fraudar licitações na gestão do Dr. Hélio

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2011 | 20h57

O ex-secretário de Comunicação de Campinas, Francisco de Lagos, acusado pelo Ministério Público de integrar suposta organização criminosa para fraudes em licitações na gestão Dr. Hélio (PDT), partiu para o ataque. Lagos classifica de “inconstitucional” a investigação de caráter criminal do Ministério Público e desafia a promotoria a exibir provas de seu envolvimento na trama.

No momento, Lagos está escrevendo um livro, “O vôo da liberdade”, no qual pretende relatar detalhes de sua vida e sua versão para o caso. “Estou há cinco meses nesse drama. Nunca fui ouvido por ninguém, nem pelos promotores, nem pela polícia, nem pelo juiz. Não existe um só depoimento de quem quer que seja dizendo que recebi dinheiro de corrupção”, afirma o ex-secretário.

Lagos teve a prisão decretada em duas oportunidades pelo juiz Nélson Augusto Bernardes de Souza, da 3.ª Vara Criminal de Campinas. Ele é citado no inquérito que a promotoria abriu para investigar desvios de recursos da Sanasa, a companhia de saneamento de Campinas.

Em maio, a Justiça ordenou a prisão de 20 suspeitos, entre eles Lagos e o então vice prefeito Demétrio Vilagra (PT), que hoje ocupa a cadeira de Dr. Hélio, cassado pela Câmara de Campinas. A promotoria apresentou denúncia contra o grupo. Os autos foram deslocados para o Tribunal de Justiça porque um dos investigados, o prefeito Vilagra, detém prerrogativa de foro perante a corte.

O ex-secretário diz que “só ficou sabendo pela televisão quem eram esses caras, empresários e lobistas (acusados pelo Ministério Público)”. “Fui colocado de graça nessa lixeira. Estou vivendo um inferno. Não me deram o direito de defesa. Nem sei do que me acusam. Minha prisão foi decretada duas vezes, fui enxovalhado pela mídia, fui denunciado por ‘atrapalhar as investigações’ ao cumprir minha missão constitucional e legal no exercício da função, que sempre conduzi com dignidade.”

Francisco de Lagos assegura que sua filha não foi casada com o empresário Hugney Ferreira, que teria sido beneficiado na gestão Dr. Hélio. “Minha filha teve relação amorosa com Hugney entre 2002 e 2004, mas não é casada e nem casou com o cidadão. Minha filha não tem nada com isso. Seu estado civil foi adulterado.”

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