Ex-secretário da Casa Civil chega à PF para depor sobre dossiê

Depoimento de Aparecido, apontado como responsável pelo documento, é considerado 'essencial' pela PF

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo,

16 de maio de 2008 | 10h12

O ex-secretário de controle interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes, chegou por volta das 10 horas desta sexta-feira, 16, à Superintendência da Polícia Federal para depor no inquérito em que é acusado como principal suspeito do vazamento de informações da Casa Civil sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Esta é a terceira vez que o delegado Sérgio Menezes tenta ouvir José Aparecido, que nos últimos dias evitou ser localizado pelos policiais que queriam lhe entregar a intimação. O delegado só conseguiu convocá-lo por meio de cópia da intimação no Tribunal de Contas da União e na Casa Civil. Pressionado, Aparecido pediu demissão da Casa Civil na última quarta-feira.  Veja também:Acusado de vazar dossiê, Aparecido pede demissão da Casa CivilCPI aprova perícia em computador de assessor de tucanoVeja o dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição  O depoimento de Aparecido é considerado essencial para o esclarecimento total do caso, avalia a PF. Seu advogado, Luis Maximiliano Telesca, acertou com o delegado os detalhes do interrogatório e disse que ele vai colaborar. "Ele não vai se recusar a responder a nenhuma pergunta", afirmou. "Estou seguro de que meu cliente não cometeu nenhum crime", acrescentou. O assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Eduardo Fernandes, para quem Aparecido enviou a planilha com os gastos de FHC vai sustentar em seu depoimento na terça-feira, na CPI dos Cartões, que Aparecido lhe disse que Erenice Guerra coordenou a coleta de informações e a montagem do dossiê. Erenice é secretária-executiva da Casa Civil e braço direito da ministra Dilma Rousseff. Na última quinta, a PF informou que já sabe quem são os envolvidos na elaboração do documento e que o caso está "praticamente esclarecido". Os nomes não foram revelados pelo delegado Sérgio Menezes, encarregado do inquérito, porque o caso corre em segredo de justiça. Menezes disse ainda que a polícia fechou a reconstituição do caminho percorrido pelo dossiê desde o momento em que ele foi confeccionado, na Casa Civil da Presidência da República, até o seu vazamento.  O delegado disse ainda que já sabe qual computador fonte alimentou com dados a planilha passada por e-mail por Aparecido, ao assessor do senador tucano. Menezes explicou ainda que a PF periciou cerca de 15 computadores, 13 deles da Casa Civil e ouviu dez pessoas que tiveram contato direto com elaboração do dossiê e seu vazamento. Ninguém foi até agora indiciado porque ainda não está definido se os dados do dossiê eram sigilosos e se houve crime na sua manipulação e vazamento.  Teses da investigação Os dados apurados pela PF confirmam a tese, já levantada quando da divulgação do laudo do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), que apontam Aparecido como responsável pelo vazamento. A PF comprovou a autoria do vazamento no computador pessoal de André, foi apreendido e também submetido a perícia. O assessor de Álvaro Dias havia apagado a mensagem de Aparecido do seu computador de trabalho, no gabinete do Senado, mas antes havia feito um espelho no seu micro pessoal. O objetivo da PF é descobrir quem mandou fazer o dossiê e com que motivação, para estabelecer se houve crime. Nessa hipótese, os autores do dossiê podem ser indiciados por prevaricação e violação de sigilo funcional. Mas as investigações ainda não permitiram concluir que houve crime na manipulação dos dados, função - em princípio - corriqueira em órgãos públicos como a Casa Civil. As investigações também reforçam a tese de que a planilha recebida por André transitou pelos computadores dos dois servidores cedidos por Aparecido ao Grupo de Trabalho criado por Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil e braço-direito da ministra Dilma Rousseff. O Grupo foi reunido para levantar os gastos da presidência no período de 1998 a 2003, o que pegou o período de governo de FHC. Indagado sobre essa hipótese, o delegado foi evasivo, alegando sigilo da invetigação. "É possível". 

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