Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ex-representante de empresa holandesa fica em silêncio na CPI da Petrobrás

Júlio Faerman, apontado como lobista, usa acordo de delação como argumento para não falar, irrita deputados e comissão decide pedir retenção de seu passaporte à Justiça

Daiene Cardoso e Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 12h51

Atualizado às 22h40

Brasília - Ex-representante da empresa holandesa SBM Offshore no Brasil, Júlio Faerman aproveitou o fato de ter fechado em maio delação premiada com o Ministério Público Federal para permanecer calado ontem, diante da CPI da Petrobrás. Ele se beneficiou de uma decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber. Ao conceder anteontem o habeas corpus que deu ao executivo o direito de ficar calado, não ser obrigado a falar a verdade e não sofrer constrangimentos, a ministra levou em conta justamente o acordo de colaboração.

Diante disso, os deputados decidiram pedir à Justiça a retenção de seu passaporte, para garantir que ele volte à comissão assim que o acordo for homologado e conte o que sabe. 

Em processo na Holanda, a SBM admitiu pagar propina para funcionários da Petrobrás. A convocação de Faerman foi aprovada pela CPI em março, mas ele só apareceu após os deputados também convocarem os filhos dele, Marcello e Eline Faerman, e seu sócio, Luiz Eduardo Barbosa. Em represália ao silêncio, os deputados querem agilizar o agendamento das oitivas dos filhos e aprovar a quebra dos sigilos da família Faerman. 

Aos 77 anos, aposentado e morando em Londres, Faerman se limitou a falar de sua trajetória profissional, negou ser lobista e disse que representou a SBM no Brasil por mais de uma década. “O trabalho por mim desenvolvido resultou em ganhos expressivos para a Petrobrás”, afirmou.

Para não responder às perguntas, o executivo alegou que vem contribuindo com o Ministério Público e que temia que a repercussão do depoimento fosse prejudicial à sua defesa e ao acordo de delação. “Em razão de minha avançada idade, estado emocional e saúde abalada, exercerei nessa ocasião o direito constitucional ao silêncio.”

Elo. O depoimento de Faerman é visto na bancada do PT como elo que comprovaria a existência do esquema de corrupção já no governo Fernando Henrique Cardoso. O ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco admitiu ter recebido propina da SBM desde o primeiro contrato de navio-plataforma firmado com a companhia holandesa, em 1997. 

O relator Luiz Sérgio (PT-RJ) lamentou o silêncio de Faerman. “Ninguém tem o histórico do processo de corrupção como ele. São informações que podem esclarecer todo o mecanismo.”


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