Ex-procurador-geral da República teme 'devassa geral' na Lava Jato

Roberto Gurgel afirma que delações com '200, 300 pessoas' pode tornar operação 'ineficaz'

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2016 | 19h26

BRASÍLIA - O ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel considera que a Operação Lava Jato pode perder a eficácia se ampliar demais o escopo das investigações. O procurador se referiu ao acordo de delação premiada da Odebrecht, em processo de negociação final com o Ministério Público, que pode envolver mais de 200 políticos. Gurgel foi chefe da PGR no auge do julgamento do mensalão, em 2012.

"A Lava Jato tem prestado, tem feito investigações valiosas e importantes. Eu sempre digo que temo essas devassas gerais. Temo que as investigações crescem demais porque corremos o risco de torná-la ineficaz. Quando se anuncia que haverá delações envolvendo 200, 300 pessoas, eu temo que isso acabe não tendo as consequências, os resultados que a sociedade espera", disse.

Para Gurgel, a Lava Jato já produziu grande resultado, mas deve prosseguir "sempre com essa preocupação de não transformar em devassa geral". Ele reconheceu que é difícil fazer isso sem parecer que há uma seletividade política. "Eu acho que precisa é verificar aquilo que está direta e estreitamente ligado às investigações até aqui. E não dar amplitude tão grande como se aproxima", comentou o ex-PGR.

Tudo o que sabemos sobre:
Roberto Gurgel

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.