Ex-presidente do TSE depõe à PF sobre investigação

Carlos Velloso afirmou que desconfia que a intimação da PF pode ser uma retaliação a suas críticas à PF

Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2008 | 20h17

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Velloso prestou ontem depoimento à Polícia Federal, em Minas Gerais. Ele foi intimado pela PF para depor na investigação de fraudes na aplicação de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), esquema descoberto na Operação Pasargada.     "Quero esclarecer tudo. Quero depor sim. À luz do sol nada apodrece", afirmou. "Esse tipo de notícia atinge a minha imagem. Se fosse ao menos uma meia verdade, mas é uma mentira", acrescentou. As investigações feitas durante a operação teriam mostrado que lobistas tentaram convencer ministros do TSE a absolver prefeitos envolvidos no esquema. Em 2006, de acordo com essas informações, o ex-prefeito de Timóteo, Geraldo Nascimento, que teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mineiro, conseguiu reassumir o cargo por meio de liminar que teria sido assinada por Velloso.   O ex-ministro negou. "Essa notícia é absolutamente falsa, até porque em 2006 eu estava aposentado", afirmou ao Estado. Velloso contou que no ano passado, o prefeito, dois advogados e o deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG) foram ao escritório do ex-ministro. Queriam que Velloso assumisse a causa. "Eu disse que não poderia porque estava cumprindo o período de quarentena", disse.   De acordo com informações do TSE, Geraldo Nascimento só foi cassado pelo TRE em outubro de 2007. Portanto, só poderia recorrer ao TSE depois disso. E foi o que aconteceu. Após a decisão do TRE, o ministro Gerardo Grossi concedeu liminar para que Nascimento permanecesse no cargo até o julgamento final da ação, como o TSE tem feito em casos semelhantes, como o do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB).   Velloso afirmou que desconfia que a intimação da PF pode ser uma retaliação por críticas que tem feito às operações da Polícia Federal e decisões de juízes que autorizam prisões em massa de envolvidos.

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