Uarlen Valério|O Tempo
Uarlen Valério|O Tempo

Ex-presidente do PSDB de Minas se recusa a responder às perguntas de promotores da Operação Aequalis

Detido temporariamente desde segunda-feira, 30, Narcio Rodrigues é suspeito de participar de esquema que desviou R$ 18 milhões dos cofres estaduais em obras da Fundação Hidroex; MP estuda prorrogar prisão

Ricardo Galhardo, Enviado especial a Belo Horizonte

02 de junho de 2016 | 15h46

BELO HORIZONTE - Em depoimento realizado no início da noite de quarta-feira, 1º, o ex-presidente do PSDB de Minas Gerais Narcio Rodrigues se recusou a responder às perguntas dos promotores responsáveis pela Operação Aequalis. Rodrigues, que está preso temporariamente desde segunda-feira, 30, é suspeito de participar de um esquema que desviou R$ 18 milhões dos cofres estaduais em obras da Fundação Hidroex. O Ministério Público Estadual estuda pedir a prorrogação da prisão do político. O prazo de cinco dias da prisão temporária termina amanhã.

Segundo fontes que acompanham a investigação, Rodrigues alegou seu direito legal de permanecer calado e não respondeu aos questionamentos dos promotores. Ex-secretário da Ciência e Tecnologia entre 2012 e 2014, no governo do hoje senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), Rodrigues era homem de confiança do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e um dos políticos mais poderosos do Estado nos 12 anos de gestões tucanas em Minas Gerais. Ontem, depois de passar duas noites no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, o mesmo onde estão presos o ex-goleiro Bruno e o operador do mensalão Marcos Valério de Souza, o ex-secretário chegou à sede do MPE em Belo Horizonte vestindo o uniforme vermelho da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) e chinelos pretos. 

Rodrigues esperou por mais de cinco horas o depoimento do empresário português Hugo Alexandre Timóteo Murcho, ex-diretor do Grupo Yser, sentado em um banco de madeira no corredor que leva à sala dos promotores. Segundo a Folha de S.Paulo, o ex-secretário recebeu propina de R$ 1,5 milhão na obra da "Cidade das Águas", projeto da Fundação Hidroex em parceria com a Unesco na cidade de Frutal, no Triângulo Mineiro, cidade natal e berço político de Rodrigues. 

No total, a Operação Aequalis prendeu outras cinco pessoas e cumpriu 27 mandados de busca e apreensão em parceria com a Polícia Militar. As fraudes foram descobertas graças a uma investigação da Corregedoria Geral do Estado de Minas Gerais. Outro empresário português, Ernesto Simões Moniz da Maia, continua foragido. A Polícia Federal foi acionada para descobrir se ele continua no Brasil ou foi para o exterior. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.