Ex-presidente do PSB-RJ nega que atuou contra a sigla

O ex-presidente do PSB-RJ Alexandre Cardoso afirmou que não vai recorrer contra a intervenção do PSB nacional. Ele foi acusado de atuar contra os interesses do partido e a favor dos governos da presidente Dilma Rousseff (PT) e do governador Sérgio Cabral (PMDB). O caso de Cardoso foi levado à comissão de ética pelo deputado federal Glauber Braga (PSB-RJ) e pelo prefeito de Petrópolis (RJ), Rubens Bomtempo, o que provocou a intervenção, formalizada na quarta-feira, 25.

ADRIANO BARCELOS, Agência Estado

26 de setembro de 2013 | 20h46

Cardoso disse que gostaria de ficar no PSB, mas uma "aproximação com partidos de centro-direita" o afastam da sigla. O atual prefeito de Duque de Caxias (município na Baixada Fluminense, região metropolitana do Rio) contesta as acusações de que desencorajou o deputado federal Hugo Leal (PSC-RJ), que estaria querendo ingressar no PSB, incentivando-o a se filiar ao PMDB.

Para Cardoso, a prioridade da sigla deveria ser a de preservar a parceria com Dilma e Cabral. Ele disse acreditar que, na atual conjuntura, os cinco deputados do PSB na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) também deverão deixar o partido. "Todos os deputados estaduais sairão", prevê o ex-presidente.

As possíveis baixas, porém, não assustam o grupo político comandado pelo presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. "As perdas não são quadros. Via de regra, são pessoas sem tradição na nossa área. São deputados que precisam das tetas do governo para a reeleição", rebateu o ex-ministro Roberto Amaral, vice-presidente nacional do PSB.

A intervenção da cúpula nacional sobre o diretório do PSB no Rio levou o deputado federal Romário (RJ) a decidir pelo retorno ao partido, 48 dias depois de ter anunciado a desfiliação. Um dos motivos alegados para a saída de Romário, em 9 de agosto, foi a incompatibilidade com Cardoso. E a volta foi "por cima". Assediado também pelo PR do ex-governador fluminense e deputado federal Anthony Garotinho, com quem chegou a conversar algumas vezes, Romário concordou em voltar ao PSB na condição de assumir a presidência do diretório fluminense.

Nesta quinta-feira, 26, o PSB do Rio de Janeiro e a direção nacional trabalhavam na nova composição da cúpula estadual, com o deputado Romário no comando e o deputado federal Glauber Braga como vice-presidente. À noite, os nomes já estavam definidos. Nesta sexta-feira, 27, a lista com os integrantes da nova diretoria do PSB-RJ deve ser formalizada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Além de resgatar Romário, que pode sair candidato à reeleição na Câmara dos Deputados ou mesmo a governador em 2014, a preocupação do PSB é construir um palanque sólido para a possível candidatura de Eduardo Campos ao Palácio do Planalto.

Nos próximos dias, um ato político deverá ser marcado para apresentar a nova cúpula do PSB do Rio de Janeiro, com a presença de Campos.

"Vamos conversar com todos os partidos que não estão no esquema Sérgio Cabral. Vou fazer isso pessoalmente", afirmou Roberto Amaral, referindo-se à montagem do palanque para o pernambucano no Rio.

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