Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Ex-presidente do BNDES diz não acreditar em práticas de corrupção dentro do banco

À CPI, Demian Fiocca disse ter participado de reuniões com ministros do governo Lula - incluindo José Dirceu - e com empresários, mas negou que esses encontros tenham tratado de questões específicas de um ou outro contrato

Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2015 | 11h46

BRASÍLIA - O ex-presidente do BNDES, Demian Fiocca, disse, nesta quinta-feira, 3, não acreditar na possibilidade de práticas de corrupção dentro do banco de fomento. Segundo ele, não houve nenhuma tratativa inadequada com ninguém do governo no sentido de favorecer uma determinada empresa durante a sua gestão, entre março de 2006 e maio de 2007. 

Em respostas a questionamentos do deputado João Gualberto (PSDB-BA) na CPI do BNDES na Câmara, Fiocca disse ter participado de reuniões com ministros do governo do ex-presidente Lula - incluindo José Dirceu - e com empresários, mas negou que esses encontros tenham tratado de questões específicas de um ou outro contrato.

 

"Houve reuniões com o governo porque o BNDES é um órgão de governo", respondeu. "E como está voltado para fomentar o setor privado, não há como a instituição não receber representantes das companhias, mas são visitas de apresentação nas quais não são tratadas questões operacionais. Discussões técnicas sobre as operações ocorrem somente no trâmite normal desses processos, 'de baixo para cima', passando por todos os comitês e diretorias para escrutínio detalhado", alegou. 

Fiocca disse não se lembrar de ter se encontrado com algum dos empresários presos na Operação Lava Jato, mas Gualberto solicitou à CPI que requeira a agenda do economista à época de sua gestão no banco.

Grupo X. O ex-presidente do banco também disse à CPI que a instituição não concedeu empréstimos a companhias do Grupo X, do empresário Eike Batista, durante a sua gestão à frente da instituição. Ele foi questionado pelo deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) sobre sua atual sociedade na Mare Investimentos com o ex-presidente da BR Distribuidora e cofundador da OGX, Rodolfo Landim.

"Minha relação com Landim se inicia quando eu já estava no setor privado e ele já fora do Grupo X. Trabalho com ele há cinco anos", afirmou, em depoimento à CPI do BNDES na Câmara dos Deputados. "Os empréstimos do Grupo X não foram na minha época", completou. 

Ainda em resposta a Gomes, Fiocca negou que a política de concessão de empréstimos com juros subsidiados pelo Tesouro Nacional seja uma das causas da atual crise fiscal do Estado brasileiro. "Compreendo ações anticíclicas e momento de crise, e vários governos as fizeram no mundo todo. Essa política foi bem-sucedida até 2010 e seria natural que houvesse uma redução após esse período", avaliou

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