Ex-presidente do Banestes é preso por fraude

A força-tarefa federal que atua no Espírito Santo prendeu nesta quinta-feira o empresário Carlos Guilherme Lima, ex-presidente do Banco do Estado (Banestes), acusado de fraudes financeiras e que seria, segundo os investigadores, ligado ao crimeorganizado.Nesta quarta-feira, policiais federais enviaram para o presídio da Papudinha, no Acre, o coronel Walter Ferreira, considerado o braço violento da organização criminosa, e tido como mandante da morte de diversas pessoas. Ferreira ficará preso na mesma cela que o ex-deputado Hildebrando Pascoal.Segundo o subprocurador geral da República, José Roberto Santoro, as investigaçõesapontam que Lima tem estreitas ligações com o deputado estadual reeleito José CarlosGratz, presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. ?O empresário deu aulasde crime financeiro com todas as fraudes praticadas?, afirmou Santoro, ressaltando queLima foi o responsável pela quase falência do banco estatal, deixando uma dívida demais de R$ 400 milhões.A força-tarefa, conforme o subprocurador, ainda detectou que Lima foi o responsávelpela quebra do banco Santos Neves, instituição da qual ele mesmo seria um dosacionistas. ?Todos os indícios apontam que ele era mesmo o controlador do banco queele quebrou?, disse Santoro, confirmando que Lima era o braço financeiro do crimeorganizado. ?Tudo leva a crer que ele participava de forma brutal da organização.?Pelos levantamentos feitos pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, além docaso Banestes, as fraudes supostamente praticadas pelo empresário chegam hoje a R$ 54 milhões. Entre as irregularidades, segundo Santoro, consta uma contra o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Lima também participou de forma oculta do processo de privatização da instituição oficial que presidiu.Com a transferência do coronel Walter Ferreira para o Acre, a força-tarefa acredita que, aparentemente, a ala violenta do crime organizado se acabou. ?Mesmo estando preso no quartel da Polícia Militar, o coronel continuava a operar amáquina de matar, como ocorreu quando ordenou a morte de uma testemunha?, afirmouo subprocurador. ?Não se matava no Espírito Santo se não tivesse a ordem dele.?

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