Ex-presidente da BrT nega que Kroll fez trabalho ilegal

A ex-presidente da Brasil Telecom (BrT) Carla Cicco confirmou nesta terça-feira, em depoimento na Justiça Federal, que contratou a empresa de investigação internacional Kroll enquanto atuava na operadora. Carla disse ainda que a atuação da Kroll foi correta, sem infringir a lei, como com interceptações telefônicas.O depoimento de três horas, parte do processo do caso Kroll, foi a portas fechadas no fórum da 5.ª Vara Criminal, na capital paulista. Carla se negou a responder questões da procuradoria do Ministério Público Federal e da assistente de acusação, restringindo-se ao juiz do caso, Silvio Luis Ferreira da Rocha.De acordo com a procuradora Anamara Osório Silva de Sordi, Carla afirmou que contratou a Kroll porque queria "desvendar" um prejuízo calculado em US$ 1 bilhão pela Telecom Itália na operação da compra da CRT, na época operadora no Rio Grande do Sul, adquirida pela Brasil Telecom. Foi "para levantar a ordem dos prejuízos", disse Carla em seu depoimento, segundo Anamara.Carla, apontada como braço direito do banqueiro Daniel Dantas na BrT, disse que pagou "alguns milhões de dólares" pelos serviços da Kroll. Dantas era o controlador da Brasil Telecom e há suspeitas de que contratou a Kroll para investigar inimigos políticos, além dos fundos de pensão de estatais (Previ, Petro e Funcef) e a Telecom Itália, que juntos pretendiam assumir o comando da BrT. Todos, como o Citigroup, tinham ações na BrT.O motivo da contratação da Kroll apontado por Carla é que o banco de Dantas, o Opportunity, acusa a Telecom Itália de ter negociado a compra CRT da Telefônica por um valor superior ao de mercado.Segundo a procuradora, Carla também confirmou sua participação no fundo CVC, presidido por Dantas. "Ela nega que tenha feito qualquer investigação de pessoas físicas ou jurídicas apontadas na denúncia", disse Anamara. No documento encaminhado à Justiça pelo MPF estão, por exemplo, a Tecnosistemi, prestadora de serviço da TIM, e outras pessoas físicas, apontadas como "desafetos" de Daniel Dantas.Já foram levantadas denúncias que apontam para um desvio de R$ 521 milhões na Brasil Telecom enquanto Dantas estava no comando. O banqueiro deverá prestar esclarecimentos à Justiça no dia 30. Ele e Carla foram denunciados por formação de quadrilha, divulgação de segredo, violação de sigilo funcional, corrupção ativa e passiva e receptação. Ao todo, 17 pessoas serão ouvidas, entre elas supostos investigadores da Kroll.

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