Leonardo Augusto|Estadão
Leonardo Augusto|Estadão

Após 11 anos, ex-prefeito é julgado em Belo Horizonte por chacina de Unaí

Antério Mânica é acusado de envolvimento na morte de três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho ocorrida em 2004

Leonardo Augusto, Especial para O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2015 | 09h19

Belo Horizonte - O fazendeiro Antério Mânica começa a ser julgado hoje em Belo Horizonte acusado de ser um dos quatro mandantes da chacina de Unaí. Ex-prefeito da cidade por dois mandatos (2005 a 2008 e 2009 a 2012, ambos pelo PSDB), Antério é irmão do também fazendeiro Norberto Mânica, que foi condenado a 100 anos de prisão na sexta-feira, 30, por envolvimento no crime. No mesmo dia, José Alberto de Castro, empresário cerealista que mantinha negócios com Norberto, foi sentenciado a 96 anos, 10 meses e 15 dias de prisão. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, José Alberto foi o intermediário da contratação de dois pistoleiros e um motorista para a chacina, ocorrida em 28 de janeiro de 2004 na zona rural de Unaí, no Noroeste de Minas. Os dois recorrem da decisão em liberdade.

A chacina de Unaí é como ficou conhecido o assassinato de três fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego - Nelson José da Silva, Eratóstenes de Almeida Gonçalves e João Batista Soares Lage - e um motorista, Ailton Pereira de Oliveira. Eles trabalhavam na auditoria de fazendas no município. As propriedades, inclusive as da família Mânica, eram suspeitas de cometerem irregularidades trabalhistas. No julgamento da semana passada, Norberto Mânica confirmou ter recebido multas que somariam entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. Os fiscais e o motorista foram mortos a tiros dentro da caminhonete com a qual faziam o deslocamento entre as fazendas.

Antério Mânica será julgado em separado porque tinha direito a foro privilegiado no curso do processo, em função do cargo de prefeito de Unaí. O também empresário cerealista acusado de ser um dos mandantes da chacina, Hugo Pimenta, anteriormente previsto para ir para o banco dos réus com Norberto e José Alberto, teve a sessão do júri marcada para o dia 10. A separação, no caso de Pimenta, ocorreu a pedido da defesa do acusado, pelo fato de o empresário ter feito delação premiada, na qual afirma que Norberto é o mentor dos assassinatos.

O nome de Antério quase não foi citado por testemunhas e réus nos quatro dias de julgamento de Norberto e José Alberto, o que ajudaria em uma possível absolvição do fazendeiro. O advogado assistente de acusação, Antônio Francisco Patente, afirma, no entanto, ter "um caminhão de provas contra Antério". "Todas colocam o fazendeiro na cadeia principal da execução dos crimes."

Colegas de trabalho dos fiscais assassinados colocaram na porta do auditório da Justiça Federal na capital, onde o julgamento será realizado, quatro cruzes formadas por sacos de feijão que seriam produzidos nas propriedades da família Mânica. Ao chegar ao auditório acompanhado de seu advogado, Marcelo Leonardo, o fazendeiro e ex-prefeito de Unaí foi recebido pelos manifestantes aos gritos de "assassino". 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.