Ex-prefeito de Ribeirão Preto é indiciado por quatro crimes

O ex-prefeito de Ribeirão Preto Gilberto Maggioni (PT), sucessor de Antonio Palocci no cargo entre 2002 e 2004, foi indiciado nesta segunda-feira pelos crimes de peculato, falsidade ideológica, formação de bando ou quadrilha e lavagem de dinheiro, após depoimento no inquérito que apura irregularidades no contrato de limpeza urbana na cidade paulista.De acordo com o delegado que preside o inquérito, Benedito Antonio Valencise, Maggioni admitiu que, ao assumir o cargo, em dezembro de 2003, o Partido dos Trabalhadores solicitou que ele mantivesse toda a estrutura existente no Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp). "Ele (Maggioni) falou claramente que houve pedido do partido para que ele não mudasse determinadas pessoas, inclusive a superintendente do Daerp (Isabel Bordini)", disse Valencise."Ao assumir a prefeitura, ele já apanhou o esquema devidamente montado e teve o pedido do partido para que ele mantivesse determinadas pessoas no cargo", completou o delegado. Segundo as investigações da polícia, o contrato de limpeza urbana foi superfaturado em cerca de R$ 30,7 milhões durante os quatro anos do governo Palocci-Maggioni. Valencise voltou a citar Palocci como o "coordenador do esquema do lixo", apesar de Maggioni ter poupado o ex-ministro e ex-prefeito no depoimento.Também segundo o delegado, Maggioni admitiu que os custos e despesas do Daerp eram altos durante sua administração, que ele tentou diminuí-los, mas que fora convencido do contrário.Ao sair da delegacia, Maggioni se negou a dar detalhes pontuais sobre seu depoimento, disse que não cometeu qualquer ato ilícito, mas admitiu, indiretamente, que não tinha controle sobre as ações do Daerp. "Eu não posso ser responsável direto por uma autarquia e por um monte de outras informações", disse o ex-prefeito. Ele lembrou que em março de 2003, três meses depois de assumir o cargo, implantou na prefeitura um programa de compras por meio de pregões eletrônicos "para eliminar esse tipo de questionamento", completou Maggioni.Ainda esta semana, o delegado Valencise deve ouvir e indiciar outros acusados no inquérito, entre eles Luiz Cláudio Leão, ex-presidente do Grupo Leão Leão, companhia responsável pelo contrato de limpeza urbana. A polícia tenta localizar ainda o ex-secretário da prefeitura e ex-executivo da Leão Leão Wilney Barquete, que estaria em Santa Catarina, segundo Valencise. O delegado disse desconhecer o motivo da mudança do executivo para outro estado e até ameaçou pedir a prisão de Barquete caso ele não seja localizado para depor.

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