Ex-prefeito de Jandira nega ter recebido dinheiro de empresas

Paulo Bururu afirmou desconhecer existência de superfaturamento de refeições para aumentar pagamento a fornecedores

Marcelo Godoy e Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

30 de março de 2011 | 23h06

Paulo Bururu negou ter recebido propina das empresas da merenda durante o tempo em que foi prefeito de Jandira (2001-2009). Ele afirmou ainda desconhecer a existência de superfaturamento do número de refeições para aumentar os pagamentos efetuados à empresas. Bururu foi confrontado pelos promotores com as planilhas de controle dos pagamentos da propina apreendidas ao depor no dia 9 de fevereiro.

 

Logo depois da morte de seu sucessor na prefeitura, Braz Paschoalin, Bururu liderou uma delegação de políticos petistas da cidade que foram à Secretaria da Segurança Pública pedir mais segurança para Jandira. Bururu não quis contar aos promotores o tamanho de seu patrimônio e se recusou a fornecer dados sobre seus sigilos bancário e fiscal.

 

Além de preso nesta quarta-feira, 30, o ex-prefeito teve sua casa sequestrada. Os promotores acusam-no de ter comprado o imóvel para lavar dinheiro obtido com as propinas da merenda. Bururu disse ainda que o reajuste do contrato da merenda não serviu para bancar a campanha do Júlio Eduardo de Lima, o Julinho do PT, à sua sucessão, em 2008. Bururu afirmou que um parecer jurídico demonstrou a legalidade do reajuste concedido.

 

O Estado procurou ainda a empresa SP Alimentação e seu proprietário, Eloizo Durães. Por meio de sua assessoria, a SP Alimentação informou que a empresa "não tem conhecimento do inquérito que tenha precedido" os pedidos de busca e apreensão efetuados nesta quarta em Jandira. "Bem como não tem conhecimento da própria ação judicial ou do que possa ter sido aduzido para que ela (a empresa) fosse envolvida." Por fim, a empresa afirma que se manifestará "tão logo seja instada a fazê-lo pela via judicial".

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