Ex-prefeita de Fortaleza defende Battisti em depoimento

Maria Luiza Fontenele disse que foi convocada como testemunha por ter atuado em prol da anistia no País

CARMEN POMPEU, O Estado de S. Paulo

05 de março de 2009 | 18h10

A ex-prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenele prestou depoimento nesta quinta-feira, 5, em favor do escritor italiano Cesare Battisti no processo no qual ele é acusado de entrar no Brasil portando documentos falsos. Instruída pelos advogados de defesa do acusado, Maria Luíza disse que prestou um ato de solidariedade ao depor e foi convocada como testemunha de defesa por ter atuado em prol da anistia no País. Ela rebateu afirmações de que Battisti seria um terrorista - o italiano foi condenado em seu país pela morte quatro pessoas no fim dos anos 70, quando fazia parte do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).   Veja também:  Suplicy lê no Senado carta de Battisti  Conheça os argumentos pró e contra a extradição de Battisti  Entenda a polêmica do caso Battisti    TV Estadão: Ideologia não influenciou concessão de refúgio, diz Tarso   Abaixo-assinado a favor do refúgio a Battisti  Leia tudo o que já foi publicado sobre o caso A ex-prefeita disse ser um desrespeito a postura adotada pelo primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, em exigir do Brasil a extradição de Battisti sem levar em consideração a soberania brasileira, que concedeu status de refugiado político ao italiano. "Precisamos ser solidários às pessoas perseguidas", disse. Além de depor em favor do italiano, ela tem comandado em Fortaleza, junto com a ex-vereadora Rosa da Fonseca, uma campanha para libertação imediata de Battisti. O grupo do qual as duas fazem parte, o movimento Crítica Radical foi às ruas da capital cearense durante o carnaval pedindo apoio à Battisti.O Crítica Radical também acompanhou o depoimento da ex-prefeita, que foi ouvida por meio de carta precatória na 12ª Vara da Justiça Federal, em Fortaleza. Maria Luíza disse temer que aconteça com Battisti o mesmo que ocorreu com Olga Benário Prestes, que foi entregue ao regime nazista por Getúlio Vargas para ser morta. "Acreditamos que o impossível pode acontecer dependendo da articulação das ideias", defendeu a ex-prefeita, confiante numa decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela permanência de Battisti no Brasil e em liberdade.

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