Ex-namorado de Galisteu já se considera anistiado

Após conversa presidente da Casa, Fábio Faria está certo de que não será punido por uso indevido da cota

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2009 | 00h00

O deputado Fábio Faria (PMN-RN), que patrocinou viagens de 12 pessoas com sua cota de passagem aérea, saiu ontem de uma conversa com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), convencido de que está anistiado e não será punido. Faria citou o discurso de Temer feito no plenário, na tarde de quarta-feira, quando o presidente anunciou medidas para restringir o uso da verba pública e garantiu que elas valem apenas de agora em diante."O presidente falou que qualquer caso de passagem ocorrido no período em que não tinha regra é passado. Meu caso se enquadra nisso", disse Faria, ao deixar o gabinete da presidência. O deputado não quis confirmar se Temer prometeu esquecer o uso indevido da cota. "Quem tem que responder é o presidente", afirmou. Na semana passada, Temer recebeu uma justificativa por escrito de Faria e prometeu analisar com o auxílio do corregedor, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA). Até agora, porém, o documento não foi enviado à corregedoria.Faria reapareceu na Câmara depois de faltar a todas as sessões da semana passada, quando foi divulgado que o deputado usou o recurso público para pagar viagens, dentro e fora do País, da ex-namorada Adriane Galisteu, da ex-sogra Emma, de artistas da TV Globo e de outros amigos e conhecidos. O deputado devolveu R$ 23.748,60 referentes a todas as passagens patrocinadas indevidamente. O caso desencadeou uma série de notícias sobre uso da cota para viagens particulares de parlamentares e parentes. "Ficou provado que esta é uma discussão coletiva", disse Faria, equiparando seu caso aos dos demais colegas.Para integrantes da Mesa Diretora, o caso do deputado do PMN se diferencia dos demais pelo fato de que ele usou a cota também para patrocinar viagens de artistas que animaram seu camarote no carnaval fora de época da Natal, o "carnatal", uma fonte de renda para o deputado, já que tem ingressos pagos. Também uma arquiteta responsável pela decoração do camarote viajou para Natal com a verba da Câmara. Os deputados reconhecem, porém, que a falta de regras para uso da cota poderá beneficiar Faria. Só depois dos escândalos a Mesa Diretora baixou normas disciplinadoras, que ainda serão submetidas ao plenário.

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