Ex-mulher relata ao MP 'estreita relação' entre Pitta e Nahas

Segundo a PF, grampos mostram que remessas para Pitta foram realizadas por determinação de Nahas a doleiros

Fausto Macedo e Rodrigo Pereira, de O Estado de S. Paulo,

08 de julho de 2008 | 12h18

O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta chegou por volta de 11 horas desta terça-feira, 8, na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, preso sob acusação de envolvimento em esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. O cerco a Pitta foi fechado a partir de denúncias que sua ex-mulher, Nicéa, fez ao Ministério Público de São Paulo. Ela revelou, em depoimento formal, que Pitta mantinha "estreita relação" com o investidor Naji Nahas. Segundo a PF, grampos telefônicos mostram que remessas de valores em espécie para Pitta foram realizadas por determinação de Nahas a doleiros.  Pitta foi preso em sua residência, no Jardim Paulista, por ordem do juiz federal Fausto Martin De Sanctis, titular da 6.ª Vara Criminal Federal, especializada em processos sobre crimes financeiros. O juiz decretou a prisão do ex-prefeito e de outros 23 suspeitos, entre eles Naji Nahas e o empresário Daniel Dantas, do Grupo Opportunity.  Veja também:Imagens da Operação Satiagraha Opine sobre a prisão de Dantas, Nahas e Pitta  Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil Delegado que prendeu Dantas atuou em outros escândalosEntenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu DantasEntenda as acusações contra Dantas e NahasDefesa diz que Dantas foi preso por vingança Mandados de prisão atingem familiares e funcionários de DantasPF prende Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso PittaOs 40 do mensalãoAs ações da Polícia Federal no governo Lula Segundo Nicéa, um filho do investidor, Fernando Nahas, "entregava envelopes para seu ex-marido". Ela revelou que certa vez abriu um desses envelopes encontrando documentos que comprovam sociedade entre Nahas e Pitta na offshore Yukon River, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Lúcio Bolonha Funaro, identificado como "Maluquinho" nos diálogos gravados, seria um dos fornecedores de recursos em espécie para Nahas. Funaro teria sido sócio da Guaranhuns Empreendimentos e Participações S/C Ltda e apontado como o doleiro do mensalão, esquema de corrupção que envolveu deputados da base aliada do Palácio do Planalto e o primeiro escalão do governo Lula. A PF está cumprindo 56 mandados de busca e apreensão. Há pouco chegaram à sede da PF paulista três veículos de luxo aprendidos com os alvos da Operação Satiagraha - um Toyota Corolla, um Crysler e um Audi Q7. Também foram recolhidos nas casas dos investigados documentos bancários, HDs de computadores e um cofre.

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