Ex-MST Rainha monta acampamento em 'nova fronteira' de SP

Depois de assumir o controle de assentamentos do Pontal, ele expande área de atuação para a região noroeste

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo,

30 Março 2009 | 16h20

Embalado pelas verbas do governo federal, repassadas através de duas ONGs sob investigação por desvios, o líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior atrai mais seguidores no oeste paulista. Depois de assumir o controle da maioria dos assentamentos do Pontal do Paranapanema, ele expande sua área de atuação para a região noroeste do Estado.

 

No último domingo, 29, Rainha iniciou a formação de um mega-acampamento numa estrada vicinal que liga a cidade de Araçatuba ao distrito de Engenheiro Taveira. Cerca de 300 barracos tinham sido erguidos nas margens da rodovia. "O Adão Preto será um dos maiores acampamentos do País", afirmou. O nome homenageia o deputado do PT e um dos fundadores do MST falecido recentemente. Os sem-terra foram alistados durante reuniões realizadas na periferia de cidades como Araçatuba, Andradina e Birigui. "São trabalhadores que foram expulsos do campo pela mecanização da cana", disse.

 

Rainha anunciou outros acampamentos na região, que chamou de "nova fronteira" da luta pela terra no Estado. "É uma região com grandes áreas improdutivas e ainda carente de organização", disse. O objetivo é cobrar do Incra a vistoria das fazendas para acelerar a reforma agrária na região. "O acampamento é uma forma de organizar as famílias e mobilizar o máximo possível de desempregados que tenham vínculo com o meio rural e perfil de agricultores." Os acampados devem participar de invasões, segundo o líder. "Mas os fazendeiros que têm terras produtivas não precisam se preocupar."

 

Desautorizado pela direção do MST de agir em nome do movimento, ele destacou o apoio que recebe de sindicatos rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de outros movimentos sociais, como o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast). Esses grupos participaram com José Rainha do chamado Carnaval Vermelho, que resultou na invasão de 21 fazendas no Pontal, em fevereiro.

 

Dos seguidores de Rainha, 1.200 são beneficiários do projeto do biodiesel que, nos dois últimos anos, recebeu R$ 3,5 milhões do governo federal. Os recursos foram liberados através da Federação das Associações de Assentados e Agricultores Familiares do Oeste Paulista (Faafop) e da Associação Amigos de Teodoro Sampaio. As entidades, ligadas ao líder dos sem-terra, estão sob investigação do Ministério Público Federal por denúncias de desvios. Rainha alega que as denúncias são falsas. Ele disse que o projeto continua e, este ano, será colhida a segunda safra de sementes de mamona para a produção do óleo.

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