Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ex-ministro Márcio Thomaz Bastos morre aos 79 anos

Titular da Justiça entre 2003 e 2007, advogado criminalista estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo

Fausto Macedo e Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

20 de novembro de 2014 | 08h29

Atualizado às 15h06

São Paulo - O advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, de 79 anos, morreu na manhã desta quinta-feira, 20. Em nota, o Hospital Sírio-Libanês afirmou que a morte do ex-ministro ocorreu em em razão de complicações pulmonares. Thomaz Bastos estava internado desde a última quinta-feira, 13. O velório é realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Thomaz Bastos foi ministro entre 2003 e 2007, nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também presidiu a OAB-SP entre os anos 1983 e 1985 e o Conselho Federal da OAB entre 1987 e 1989. Considerado um dos melhores criminalistas do país, ele é apontado ainda como o responsável por reestruturar o papel da Polícia Federal, com foco também em investigações sobre atos de improbidade administrativa e desvios de recursos públicos. O ex-ministro também foi o criador do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que tem atribuição de fiscalizar o Judiciário.

O advogado criminalista atuou ainda em julgamentos como o do processo do mensalão, na defesa de réus ligados ao Banco Rural, e na acusação dos envolvidos na morte do ativista ambiental Chico Mendes. Atualmente, Thomaz Bastos era o coordenador da defesa de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

"São Paulo e o Brasil perderam um dos seus maiores advogados. Eu me recordo que quando Márcio me contou que acabara de ser convidado pelo Lula para ser ministro da Justiça eu disse a ele: 'O Brasil vai ter um grande advogado a defendê-lo'", afirmou o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, titular da pasta no governo Fernando Henrique Cardoso.

Thomaz Bastos nasceu em Cruzeiro, no interior de São Paulo, em 1935 e formou-se em direito pela Universidade de São Paulo (USP), em 1958. O criminalista também destacou-se pela participação nos movimentos das Diretas Já e, ao lado de outros juristas, participou da redação da petição do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.

"Eu perdi um dos meus melhores amigos, a advocacia perdeu um dos melhores advogados de todos os tempos. E o Brasil perdeu uma de suas melhores cabeças", afirmou o advogado Celso Vilardi, que atuava com Thomaz Bastos na coordenação da defesa das empreiteiras citadas na Lava Jato.

Márcio Thomaz Bastos deixa a mulher e uma filha. O velório, na Assembleia Legislativa, começou às 15 horas. De acordo com o cerimonial da Assembleia, o corpo de Thomaz Bastos será cremado na manhã desta sexta-feira, 21, no hospital Horto da Paz, em Itapecerica da Serra. A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem comparecer ao velório./Colaboraram Ricardo Chapola e Rafael Moraes Moura

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