Ex-ministro intermediou doação para petista

Apesar de a Operação Castelo de Areia não citar o PT entre os partidos beneficiados por doações da empreiteira Camargo Corrêa, uma contribuição a candidato petista foi registrada em grampos feitos pela Polícia Federal.Em 1º de outubro de 2008, às vésperas do primeiro turno das eleições municipais, a PF encaminhou relatório ao juiz Márcio Rached, da 6ª Vara Criminal Federal, no qual fala de uma conversa entre Pietro Bianchi, diretor da empreiteira, e "uma pessoa de nome Rose". Entenda a Operação Castelo de Areia e leia trechos dos gramposO diálogo trata de "doação no valor de 50 mil", atendendo a pedido do advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça no governo Lula, para um candidato que a PF denominou erroneamente como "Narbil", sem apontar sua identidade.Trata-se do arquiteto Nabil Bonduki, candidato a vereador pelo PT em São Paulo, segundo confirmou ao Estado o próprio Thomaz Bastos, advogado da Camargo Corrêa desde a semana passada. O ex-ministro enfatizou que foi "doação legal, com recibo". De fato, a doação consta da prestação de contas de Bonduki à Justiça Eleitoral. O petista não foi eleito.A PF diz que o pedido de Bastos foi feito para Carlos Pires, sócio da empreiteira. Em telefonema de 23 de setembro, o executivo Pietro Bianchi liga para o escritório de Nabil. Quem atende identifica-se como Rose. Bianchi pergunta se "o doutor Narbil recebeu doação de 50 mil que era pedido do doutor Márcio Thomaz Bastos para Carlos Pires".Rose informa que o dinheiro havia chegado no dia 15. Diz ainda que foi encaminhado a Dárcio Brunato, executivo da construtora, recibo emitido em nome da Cavo, uma das empresas do grupo Camargo Corrêa.Para a PF, a doação deveria ser apurada porque, em telefonema anterior, Bianchi "pergunta a uma pessoa se a doação para uma campanha seria por dentro ou por fora". "Não se pode precisar quanto à legalidade dessa operação, já que não se sabe o teor desse recibo emitido e sua destinação e, ainda, ao que parece, também depreendido de áudios anteriores, o controle sobre a efetividade dos pagamentos referentes a essas doações é falho", diz a PF.DOAÇÃO LEGAL"Foi uma doação legal e com recibo, absolutamente de acordo com a legislação eleitoral", disse Thomaz Bastos. "Pedi auxílio para quem votei a algumas pessoas, inclusive o Carlos Pires. Algumas pessoas me pediram para ajudar o Nabil, que conheci na campanha. Nem sabia o valor, pedi ao Carlos e a outro que ajudassem."O ex-ministro anotou que, na campanha, "alguns amigos pediram para conhecê-lo (Nabil)". "Conversamos a respeito da campanha, assinei manifesto. Fiquei muito impressionado com a atuação do Nabil em matéria de urbanismo. Resolvi votar nele, ajudá-lo na eleição. Eu pedi a várias pessoas que votassem nele."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.