Ex-ministro FHC inicia fase de depoimentos na CPI dos cartões

Paulo Paiva chefiava pasta do Planejamento no governo do tucano, quando cartão foi adotado

17 de março de 2008 | 15h52

Representantes do Tribunal de Contas da União (TCU) e o ex-ministro do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso, Paulo Paiva, serão os primeiros a falar à Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) dos cartões corporativos . Os depoimentos estão marcados para esta terça-feira, 18. Paulo Paiva chefiava a pasta no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o cartão corporativo foi adotado no governo federal.  Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos  Após leitura, Senado instala CPI mista dos cartões Acordo dá presidência da CPI mista dos cartões ao PSDB Virgílio desiste de liminar para quebrar sigilo da Presidência Na quarta-feira, serão ouvidos os ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, e Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União (CGU). O objetivo é esclarecer os parlamentares da comissão sobre o uso e as investigações quanto aos cartões corporativos. As autoridades da área de segurança federal serão ouvidas apenas depois da Semana Santa. No dia 25, estarão na CPMI o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, ministro Armando Félix, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Informação (Abin), Paulo Lacerda, além dos chefes dessas instituições no governo Fernando Henrique: Alberto Cardoso, ex-ministro do GSI, e Mauro Marcelo Lima e Silva, ex-diretor-geral da Abin. A previsão é de que os requerimentos que pedem acesso a dados sigilosos de cartão corporativo da Presidência da República só sejam votados no dia 26. De autoria dos deputados democratas Índio da Costa (RJ) e Vic Pires Franco (PA), o requerimento pede informações à Casa Civil sobre os gastos com cartão corporativo do governo federal desde que começou a ser usado em 2002, o nome do titular do cartão, o limite mensal, o detalhamento dos gastos e cópia das notas fiscais das compras. Ameaça A CPI dos Cartões mal começou e já corre o risco de ser esvaziada. Motivo: os partidos de oposição ameaçam abandonar os trabalhos, em represália à decisão da base aliada de rejeitar qualquer requerimento com a quebra de sigilo dos gastos com cartões corporativos da Presidência. O enredo aproxima a comissão da CPI das ONGs, que também patina na apuração. "Não podemos legitimar a farsa. Se não for quebrado o sigilo desses gastos, a CPI não se justifica", argumentou ontem o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). "A CPI não terá porquê existir, à medida em que forem derrotados todos os requerimentos que pedem a transferência de sigilo com os gastos das contas secretas", emendou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Depois da Semana Santa, o PSDB e o DEM pretendem reunir-se para decidir qual atitude vão tomar em relação às próximas semanas. A oposição está dividida sobre abandonar ou não a comissão. "Se sairmos, vamos entregar o ouro ao bandido. Eu não saio, vou até o final", avisou ontem o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA). Parlamentares da base aliada alegam que a ameaça da oposição de abandonar a CPI não passa de uma estratégia para interromper os trabalhos e, dessa forma, acabar com a comissão. Os governistas argumentam que a oposição não quer investigar as contas tipo B - em nome de um funcionário que emite cheques e recebe os depósitos.  (Com Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo)

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