Ex-ministro diz que foi "erro" não ouvir movimentos sociais sobre pacote fiscal

Gilberto Carvalho afirma, em palestra, em Fortaleza, que Planalto se 'esqueceu' de incluir maior participação social para elaborar medidas

Carmen Pompeu, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2015 | 00h34

Fortaleza - O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República nos governos Lula e Dilma, Gilberto Carvalho, fez, na noite desta segunda-feira,16, em Fortaleza, um mea culpa sobre a ausência de participação dos movimentos sociais na elaboração do pacote fiscal do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. 

“Eu tenho vergonha de dizer: nós erramos. Nós tivemos uma eleição que só foi ganha pela luta de vocês, pela luta da nossa militância. Aqueles três milhões de votos que nos salvaram, nós sabemos que foram graças à luta da militância. E a gente, quando acabou a eleição, em vez de chamar o pessoal para discutir – olha pessoal, vamos fazer um programa para valer, popular –, nós esquecemos”, afirmou Carvalho, em palestra para 500 pessoas ligadas a movimentos sindicais.

O ex-ministro admite que os movimentos sociais foram chamados apenas “na véspera” da definição das medidas. “Levou um mês para ser chamada a CUT lá no Palácio (do Planalto). Um mês para o MST ser chamado lá no Palácio. E viemos com um pacote que só penalizou o lado dos trabalhadores, sem nenhuma comunicação”, afirmou Carvalho. “Devo dizer que fiquei muito triste com isso. Esse foi um erro imperdoável que nós cometemos. Não tem como negar. Porque assim você não faz alianças estratégicas”, completou. 

Para Carvalho, esse “erro” já foi entendido pelo governo, tanto que, segundo ele, Dilma já orientou a bancada governista no Congresso Nacional a ouvir sugestões dos movimentos sociais para as Medidas Provisórias que tratam do ajuste fiscal. De acordo com ele, a orientação é ouvir sugestões e acatar aquelas que não causem prejuízo à essência do pacote. “Acho que agora a lição foi aprendida”, afirmou o ex-ministro, em resposta a uma série de críticas colocadas pelos presentes, que alegavam dificuldades em chamar a população para defender a presidente nas ruas.

“Não dá para a gente só falar em combater a corrupção e falar em reforma política. É preciso que o governo sinalize de maneira clara com relação às bandeiras e às realizações na geração de emprego e no benefício dos trabalhadores”, disse Carvalho, concordando com avaliações feitas pela plateia.

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