Ex-ministro de Lula substitui candidato tucano

Na ausência de João Doria, o empresário Luiz Furlan assumiu o mandato-tampão de “chairman of the board” do Lide

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2016 | 05h00

Ex-ministro do Desenvolvimento de Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Luiz Furlan assumiu o mandato-tampão de “chairman of the board” do Lide, na ausência de João Doria, com a missão de apresentar os empresários do grupo aos representantes do governo do presidente Michel Temer.

O próximo evento, marcado para amanhã em um hotel de luxo na capital, será um almoço com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Doria estará presente.

A aproximação com a nova gestão acontece após um período de rompimento do grupo com o governo Dilma Rousseff e o PT, que durou dois anos. Até as eleições de 2014, tucanos e petistas circulavam com desenvoltura nos eventos de Doria, que fazia doações em períodos eleitorais para vários políticos de esquerda. Já em abril de 2015, porém, os ministros convidados e parlamentares do PT não foram ao Fórum de Comandatuba, na Bahia. Doria fez então um discurso duro contra Dilma que selou o rompimento.

“Ele subiu o diapasão. Naquela altura, pode ser que ele tivesse planos de voos políticos”, disse Furlan. Entre os mais assíduos ex-frequentadores dos fóruns do Lide estão o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, o ex-governador da Bahia Jacques Wagner e a deputada estadual Manuela D’Ávila (PC do B-RS).

A expectativa de Furlan é de que, terminadas as eleições municipais, o Lide volte a se aproximar da nova oposição. “O adversário do presente é o aliado do futuro”, teorizou.

‘Célula’. Se vencer a disputa pela prefeitura de São Paulo, Doria deve beber na fonte do Lide para compor sua equipe no Executivo municipal. Além de empresários e políticos, a instituição conta com diversos grupos setoriais que reúnem especialistas e personalidades em várias áreas de atuação.

Fazem parte do comitê de gestão da entidade de Doria nomes como Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura de Lula, o economista Paulo Rabello de Castro, o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, e Roberto Klabin, presidente da SOS Mata Atlântica.

Segundo o candidato tucano, o comitê gestor foi a “célula” inicial na construção de seu programa de governo. O candidato compara o grupo à Sorbonne ou ao grupo da Rua Madre Teodora, endereço onde foi elaborado o programa do governo André Franco Montoro, em 1982. Nesse ano, membros do “MDB histórico”, como Bresser Pereira, José Yunes e Fernando Henrique Cardoso, se reuniam para elaborar propostas. Parte deles acabou no governo. 

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