Ex-ministro de Lula faz alerta e diz que caiu por dizer menos que Levy

Ex-ministro de Lula faz alerta e diz que caiu por dizer menos que Levy

Senador Cristovam Buarque comentou palavras do atual ministro da Fazenda, de que Dilma não faz as coisas 'da maneira mais fácil'

Fábio Brandt, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2015 | 16h42

BRASÍLIA- O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou neste domingo ao Estado que perdeu o cargo de ministro da Educação por ter criticado o governo de forma mais branda do que fez o atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para quem a presidente Dilma Rousseff tem "desejo genuíno" de acertar, mas não faz as coisas da "da maneira mais fácil" e "efetiva".

Cristovam foi ministro do primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi demitido, por telefone, em 2004. "Eu fui dizer coisas desse tipo sobre o Lula, sem nem citar o nome dele, e acabei caindo muito rápido. Lembro da frase que eu disse: não precisa do Fome Zero, basta ampliar a Bolsa Família. Então, essas coisas, é perigoso para um ministro dizer. Mas acho que é uma frase correta", disse Buarque sobre a fala do atual ministro de Dilma.

De acordo com o senador, que pertence a um partido da base de apoio à presidente, Dilma é "bem intencionada, mas muito arrogante". Para ele, "não faltaram alertas de que as decisões que ela tomava levariam à situação em que a gente está". Ele próprio, diz, apontou, em 2011, que a economia estava bem, mas que estava em vias de ficar mal. "Fui ridicularizado", afirma.

A presidente Dilma, informada no início de sábado sobre as declarações, ainda não se pronunciou.

Audiência. Cristovam Buarque é suplente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que faz audiência com ministro Joaquim Levy nesta terça-feira, 31. Na reunião, ele tentará convencer os senadores a apoiarem o pacote de ajustes econômicos proposto pelo governo. Agora, no entanto, a audiência deve ter como foco a crítica feita pelo ministro à própria chefe.

O senador oposicionista Flexa Ribeiro (PSDB-PA) afirma que Levy "é um economista respeitado e tem o conhecimento pra arrumar o Brasil", mas que a presidente da República propõe medidas duras para fazer com que "os brasileiros paguem pelos erros dela". "Uma outra forma de você equilibrar as contas é diminuir os gastos  com custeio, com ministérios. Hoje, a própria base aliada do governo já fala em diminuir os ministérios. O Congresso não vai aprovar as medidas enviadas", diz o senador tucano.

Flexa diz que fará duas perguntas ao ministro da Fazenda: "se ele se sente cômodo na situação em que está, com o governo todo contra ele, e qual será a posição dele se as medidas da presidente [do pacote de ajustes] não forem aprovadas , como não serão".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.