Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ex-ministro de Dilma defende acordo do PT com base de Temer por espaços na mesa diretora da Câmara

Em carta endereçada a parlamentares petistas, Gilberto Carvalho diz que 'essencial' é assegurar espaços, sem que haja compromisso de voto em candidatos a presidente da Casa do 'bloco golpista'

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2017 | 13h14

BRASÍLIA - Ex-ministro do governo Dilma e ex-chefe de gabinete da presidência no governo Lula, Gilberto Carvalho defendeu em uma carta endereçada a parlamentares petistas que as bancadas da Câmara e do Senado façam acordos com partidos da base do presidente Michel Temer a fim de garantir espaços na Mesa Diretora das duas Casas Legislativas. A manifestação de Gilberto Carvalho vai na linha do que tem defendido o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a interlocutores.

Na longa carta, intitulada "As difíceis encruzilhadas da vida", o petista afirmou que, inicialmente, o partido deve preferir apoiar candidatos com quem tenha afinidade política, mas destacou que o "essencial" é assegurar os espaços, sem que haja compromisso de voto em candidatos a presidente do "bloco golpista".

O ex-ministro, contudo, reconhece que o apoio a aliados do governo é uma decisão tática: "Se, finalmente, formos colocados ante uma inevitável disjuntiva, ou vota-se numa das candidaturas ou estaremos excluídos dos principais espaços, não tenho receio em opinar que devemos sim negociar com altivez, coletivamente, não apenas para assegurar os espaços, como para obter compromissos definitivos dos novos presidentes com a tomada de medidas que restabeleçam o funcionamento democrático das Casas e o retorno do acesso legítimo do povo à Sua casa."

Carvalho avalia que essa decisão "evidentemente" trará desgastes, mas afirmou que, após a perda do Executivo, com o impeachment de Dilma, o Congresso é a esfera de "atuação institucional que nos resta no plano nacional". "Por isso, temos advogado a necessidade de uma atuação forte, consequente e muito articulada de nossas bancadas com os movimentos sociais e a sociedade civil", disse.

O ex-ministro, que atualmente trabalha na liderança da oposição no Senado, disse que é necessário lembrar que o Legislativo em 2017 será o campo de "batalhas importantíssimas", como a da Reforma da Previdência e Trabalhista, peças chaves na implantação do novo modelo, e que "vão atingir em cheio os mais pobres".

"É verdade também que o Parlamento tem sido palco de derrotas clamorosas e gravíssimas para nós e nosso Projeto. Quando o governo e sua maioria resolvem passar o rolo compressor, o máximo que conseguimos é adiar por alguns dias as duras decisões que estão deformando o País, a Constituição e assaltando o direito dos pobres, realizando um eficaz, violento e rapidíssimo reenquadramento do País no modelo neoliberal mais duro. Portanto não há que ter ilusões de que poderemos ter grande vitórias, com ou sem a participação nossa nas mesas e na presidência ou relatoria de comissões. A verdade é que, enquanto o governo Temer derrete perante a Sociedade e fracassa em seu modelo econômico, apresenta, no entanto, um desempenho de vitórias no Legislativo de causar inveja aos nossos melhores tempos. Portanto trata-se de um palco de lutas fundamental nesta Guerra", destaca.

Divisão. Dono da segunda maior bancada da Câmara, o PT está dividido entre apoiar Rodrigo Maia (DEM-RJ) - e garantir participação na Mesa Diretora da Câmara - ou construir uma candidatura de esquerda, não necessariamente a de André Figueiredo (PDT-CE).

Nesta quinta-feira, 19, uma comissão de deputados petistas vai se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que até agora não se manifestou sobre a disputa. Além disso, o Diretório Nacional do partido, que se reúne nesta sexta, 20, em São Paulo, também deve opinar sobre a sucessão na Câmara. A tendência é que a direção libere a bancada.

 

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