Ex-ministro acusa Lula de falta de autoridade com MST

Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, ex-ministro da Justiça no governo Sarney e ex-deputado federal pela antiga UDN mineira, Oscar Dias Corrêa foi incisivo em suas críticas ao governo Lula, ao ser entrevistado no programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes. "O governo promete, mas não faz", afirmou, ao referir-se ao comportamento do presidente da República em relação ao Movimento dos Sem-Terra (MST). "Todos nós achamos que é preciso fazer a reforma agrária, mas ela tem de ser vista pelo governo do jeito que ele acha que deve ser feita, e não do jeito que o MST acha."Segundo o jurista mineiro, o MST se convenceu de que é dono do País. "Ocupa locais proibidos e não tem ninguém que o tire e o repreenda, a não ser generosamente, gentilmente." Com isso, prosseguiu analisando, os fazendeiros se cansaram dessa situação e, o que é pior, resolveram enfrentá-la. "O que está faltando neste País, em todos os lugares, a começar pelo presidente da República, é falta de autoridade." Para ele, o governo Lula deveria deixar bem claro que tanto o MST como os fazendeiros devem se manter nos seus limites, como condição indispensável para que a reforma agrária seja feita. E acentuou o caráter deletério da ação do MST, que está minando a autoridade presidencial. "Eles querem a reforma na marra e estão ferindo normas essenciais da liberdade do cidadão. Se você tem 100% de poder, exerça os 100%, e não 99,9% ou 101%." Uso da violência legalOscar Dias Corrêa prosseguiu, dando um exemplo de como deveria ser a ação do governo para pôr fim aos atos ilegais e reconquistar sua autoridade. "Suponhamos: eles (militantes do MST) invadem um prédio público, como o gabinete do diretor do Incra, o que a polícia tinha de fazer? Primeiro, impedir que eles invadissem; segundo, invadiu, tirar de qualquer maneira, inclusive com violência se for preciso, porque eles praticaram a violência inicial." Para o ministro aposentado do STF, no momento em que alguém pratica uma violência, o Estado tem de agir como defensor da ordem jurídica.Medo dos partidáriosNa visão de Corrêa, essa omissão do governo em agir com mais rigor contra o MST se explica pelo fato de o PT sempre ter apoiado o movimento. "Como o governo não quer brigar com aqueles que acha que são seus partidários, deixa que eles façam o que querem. Acontece que o MST tomou tal ímpeto, que eles hoje não reconhecem nem mesmo mais o presidente da República.". Mas o ex-ministro não deu a batalha por perdida para o governo. "É o caso, e eu acho que o presidente Lula vai fazer isso, eu estou pensando que ele vai fazer isso, vai chamar o MST e determinar que a polícia tome conta para que ele não abuse. Agora, enquanto isso, urge fazer a reforma agrária."Respeitar o agronegócioO ex-ministro da Justiça de Sarney, destacou que o ambiente de intranqüilidade no campo pode vir a atrapalhar o agronegócio, "que está sustentando a balança comercial brasileira". Disse que a agricultura de pequeno porte também é muito importante para o País. Para ele, é preciso que o governo dê ao MST não apenas terra, mas os meios para o exercício da agricultura.

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