Ex-ministra traz grupo de aliados e cobra renovação

Ingressaram também no PV ex-diretor do Greenpeace e ex-deputado Luciano Zica, que deixou PT com senadora

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

31 de agosto de 2009 | 00h00

A filiação da senadora Marina Silva ao PV não foi um ato isolado. Ontem também ingressou no partido um grupo de ambientalistas e militantes políticos que atuavam ao seu lado no Ministério do Meio Ambiente ou apoiavam suas propostas políticas. Entre eles estava o ex-deputado Luciano Zica (SP), que deixou o PT junto com a senadora, e o ambientalista Roberto Kishinami, ex-diretor executivo do Greenpeace no Brasil.Essa filiação em grupo não foi apenas simbólica. Ela indica a abertura para novas filiações de petistas e ambientalistas e, sobretudo, a disposição de Marina de garantir desde o início uma presença forte no PV.Nos próximos dias, o programa do partido passará por um processo de discussão e reformulação, a pedido de Marina. A equipe encarregada de realizar esse trabalho é formada por 21 pessoas. Metade foi indicada pela direção do PV e metade pela senadora. A 21ª cadeira caberá ao presidente do partido José Luiz Penna. Entre os indicados por Marina se encontram Zica e Kishinami. Também aparecem na lista João Paulo Capobianco, que foi secretário executivo do Meio Ambiente quando ela chefiava a pasta.A principal tarefa na revisão do programa será adequar as propostas de sustentabilidade ambiental às descobertas científicas ocorridas desde a redação do primeiro programa, quase 20 anos atrás. Mas não só. Já se sabe que, na nova proposta, que deve ser votada e aprovada no início do ano que vem, também será dada mais ênfase a questões éticas.Ao contrário de Heloísa Helena (PSOL-AL), que se desfiliou do PT para fundar outro partido, Marina não põe a questão ética no centro dos discursos. Afinal, ela é conhecida mundialmente por sua política de defesa do meio ambiente. Mas o assunto está presente em todos os seus pronunciamentos e dos companheiros mais próximos.ATAQUEO ataque mais forte ao governo petista, no encontro, foi feito justamente por questões éticas - o que pode ser anúncio do tom de campanha. Ele coube ao deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), também ex-petista. "Hoje temos no País um governo moralmente frouxo", afirmou. E continuou: "Temos um Congresso apodrecido e um Supremo Tribunal Federal em princípio de decomposição, com a decisão tomada nesta semana."Referia-se à decisão do STF de arquivar a última das denúncias criminais contra o ex-ministro e deputado Antonio Palocci (PT-SP).Integrante do governo Lula, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, presente na mesa de honra, ao lado do deputado, evitou rebater a crítica. Disse que, embora ele e Gabeira façam parte do mesmo partido, têm opiniões diferentes sobre política.Ferreira também pôs em segundo plano as divergências da senadora com o governo. "Ela não é de oposição", afirmou. "Disse em seu discurso que vai mudar de casa, mas não vai mudar de rua."Ferreira defendeu ainda a ideia de reformulação do programa do PV, com críticas à atual estrutura. "Com a Marina, o PV vai passar por uma refundação programática e isso me deixa alegre", afirmou. "É preciso haver mais democracia no partido e que a base seja mais ouvida."A chegada de Marina ao PV expõe alguns problemas internos graves, como falta de fidelidade de muitos de seus políticos às causas partidárias. Ontem, enquanto Penna reclamava das cobranças da imprensa a respeito, afirmando que são excessivas, Marina dizia que elas devem ser feitas. E sempre.

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