Ex-ministra diz que evita 'tentação' de reagir a ataques

Em Manaus, Marina Silva afirma que está sendo 'muito agredida', mas não pretende responder a Aécio e Dilma 'na mesma moeda'

BRUNO TADEU, ESPECIAL PARA O ESTADO / MANAUS, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2014 | 02h02

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, disse ontem, em Manaus, que está sendo "muito agredida" na disputa eleitoral, mas não pretende "cair em tentação" e responder "na mesma moeda" à presidente e candidata a reeleição Dilma Rousseff (PT) e ao candidato do PSDB, Aécio Neves.

"Eu tenho sido muito agredida, vocês acompanham, de que vai acabar o Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família, o Mais Médicos, a exploração do pré-sal, a transnordestina, a transposição do Rio São Francisco... Acabar com as férias, acabar com o FGTS, o 13º salário... Vocês até riem, porque isso é subestimar a inteligência da sociedade. É o que eu chamo de marketing selvagem", disse a ex-ministra do Meio Ambiente, que participou de um evento com ambientalistas em um museu na capital amazonense.

Marina reiterou o discurso de que não pretende reagir da mesma forma que os adversários na disputa presidencial. "Não vamos retrucar na mesma moeda. Jamais vou fazer com a presidente Dilma e com o Aécio o que eles estão fazendo conosco."

A ex-ministra chegou a Manaus no início da tarde de ontem e iniciou a programação na cidade no Museu da Amazônia, onde foi recebida por ambientalistas que cobraram da candidata ações voltadas para áreas florestais, energéticas e climáticas, além da defesa da causa indígena. Ao expor suas propostas, Marina classificou o governo Dilma como um "retrocesso no desenvolvimento sustentável".

Estrada. Ela foi questionada também sobre a recuperação e o asfaltamento da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) - uma demanda antiga de políticos dos dois Estados. A obra, de 405 quilômetros em plena Floresta Amazônica, está paralisada por falta de licenciamento ambiental - negado primeiramente na gestão de Marina no Ministério do Meio Ambiente.

"A BR-319, até hoje, não provou a sua viabilidade econômica, nem sua viabilidade social, nem ambiental. Durante a minha gestão, fiz as licenças mais complexas: a BR-163, a transposição do Rio São Francisco e o (complexo) do Rio Madeira. Mas não abrimos mão de nenhum desses requisitos. A BR-319, até hoje, não provou sua viabilidade econômica, social e ambiental", afirmou.

Na visita à capital amazonense, Marina reafirmou que pretende em seu eventual governo aliar projetos bem-sucedidos do governo Lula e FHC. "A instabilidade econômica do governo do Fernando Henrique, nós vamos recuperar, (pois) está sendo perdida no atual governo. A inclusão social, que iniciou no governo do presidente Lula, nós vamos manter e aperfeiçoar, (porque) está sendo agora ameaçada."

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