Ex-líder do governo no Senado, Jucá defende proposta de mandato no BC

Parlamentar segue a linha defendida por Renan Calheiros (PMDB-AL) que gerou reação negativa dentro do próprio partido e até do tucano Aécio Neves

Beatriz Bulla e Luís Lima, Agência Estado

31 de outubro de 2013 | 17h12

Brasília - O senador Romero Jucá (PMDB-RR) defendeu nesta quinta-feira a aprovação do projeto de lei que fixa mandatos para diretores e presidente do Banco Central (BC). Ex-líder dos governos Lula e Dilma no Senado, Jucá segue a linha do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Nesta terça-feira, 29, Renan retomou o debate ao dizer que é favorável à aprovação, até o final do ano, de uma proposta relatada pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ) que prevê seis anos para os dirigentes do BC, com possibilidade de uma redução.

"O Banco Central já tem autonomia. O que nós vamos definir é um mandato para dirigentes do BC. Eu acho que é uma sinalização que mostra o fortalecimento da independência do Banco Central no sentido de cuidar da moeda e da política monetária brasileira", disse Jucá, em entrevista ao Broadcast Político.

Para o ex-líder governista, é muito importante sinalizar para o empresariado, o mercado financeiro e outros setores da economia que há uma "gestão profissional, isenta e equilibrada" da política monetária. Segundo ele, é importante fortalecer os princípios da economia cada vez mais, e a autonomia funcional do BC, para ele, é um "bom caminho".

A proposta de Renan foi anunciada na terça e gerou uma reação negativa dos parlamentares. Na ocasião, senadores do PT e do PMDB considerara o debate fora de hora. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN),por sua vez, já antecipou que não vota a matéria neste ano, caso ela passe pelo Senado.

O vice-presidente da República, Michel Temer, também disse que pretende conversar com Renan. "É um assunto delicado, que precisa ser muito bem examinado. O Banco Central está agindo corretamente e competentemente", afirmou. Até o senador da oposição e possível candidato tucano à presidência, Aécio Neves, afirmou ser contra a proposta de mandatos para os dirigentes do banco.

O próprio Romero Jucá, um dos vice-líderes da bancada do PMDB no Senado, a maior da Casa com 21 integrantes, admitiu que seu partido não vai fechar questão de acordo com a posição de Calheiros.

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