Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Vaccarezza era próximo ao PMDB e pertencia a uma ala menos ideológica do PT

Preso na Lava Jato por suspeita de propina de R$ 400 mil em contrato da Petrobrás, ele deixou o PT em 2016 para trabalhar na campanha de Russomanno (PRB) à Prefeitura de São Paulo

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 18h32

Preso nesta sexta-feira, 18, na Operação Lava Jato, Cândido Vaccarezza era uma das peças chaves no Congresso nas gestões petista. Foi deputado estadual em São Paulo depois parlamentar em Brasília por 8 anos. O ex-petista foi líder de governo de Dilma e Lula na Câmara e era um dos alicerces da relação entre o PMDB e o PT na Casa. Hoje ex-petista, Vaccarezza tinha livre trânsito com partidos do Centrão e pertencia a uma ala menos ideológica da sigla.

Médico de formação e político de carreira, Vaccarezza se aproximou de peemedebistas que também acabaram presos na Lava Jato. Ele tomou os noticiários em 2012, quando já não era mais líder do governo na Casa, e foi flagrado trocando mensagens durante a CPI do Cachoeira com o então governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). “A relação com o PMDB vai azedar na CPI, mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu (sic)", disse no texto.

No ano seguinte à mensagem, a relação do deputado paulista com o PT azedou de vez. Em meio a debates sobre reforma política, Vaccarezza se aproximou de Eduardo Cunha (RJ) e apoiou um projeto que destoava dos interesses de sua bancada. O PT chegou a emitir uma nota, afirmando que Vaccarezza não representava a sigla, nem o partido na comissão da reforma política em 2013.

O Planalto começou a se afastar do deputado, enquanto ele reclamava de estar sendo isolado pela cúpula do partido. Sua relação com a presidente Dilma conhecidamente não era das melhores. Por ordem dela própria, ele saiu da liderança do governo em 2012.

Nas eleições de 2014, ele não conseguiu se reeleger como deputado federal. A bancada do PT encolheu e no crescente desentendimento com a cúpula do partido, Vaccarezza se aproximou da senadora Marta Suplicy. Juntos, eles ensaiavam uma saída do PT. Ele chegou a conversar com o Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (SP), mas acabou indo para o PTdoB - que quer se tornar Avante, em 2016. No mesmo dia em que anunciou sua saída do partido em que estava há mais de 30 anos, também afirmou que trabalharia na campanha do deputado federal Celso Russomanno (PRB) à Prefeitura de São Paulo.

No ano passado, quando já não era mais deputado e, portanto já não tinha mais foro privilegiado, a Polícia Federal abriu inquérito por suspeita de propina de R$ 400 mil em contrato de importação de asfalto da Petrobrás.

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