Ex-integrante do governo critica Nilmário por declaração sobre Araguaia

Indignado com o governo, o ex-presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos João Luiz Duboc Pinaud reagiu irritado às declarações do secretário especial de Direitos Humanos da Presidência da República, ministro Nilmário Miranda, que afirmou não saber se ainda existem arquivos sobre a guerrilha do Araguaia. Pinaud disse que o trabalho de Nilmário "é a continuação de uma farsa, é coisa para inglês ver". Membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Pinaud afirmou que em junho o ministro esteve no Rio de Janeiro e disse que "tudo tinha sido queimado". Hoje, durante sua exposição na mesa redonda "Visão Histórica do Período de Exceção", realizada na OAB, Nilmário Miranda disse que não sabe se os arquivos ainda existem. Mas afirmou que o governo poderá fazer uma busca nos documentos que estão em poder da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Polícia Federal (PF). Depois de assistir pessoalmente à exposição do ministro, Pinaud afirmou que não basta abrir os arquivos, é necessário ouvir pessoas que presenciaram os fatos, como moradores do Araguaia e outras vítimas da ditadura. "Ele (Nilmário Miranda) ficou a reboque da decisão (do TRF)", disse o ex-presidente da comissão. Pinaud afirmou que vai pedir à OAB que fiscalize o cumprimento da decisão do TRF. "Não confio na Secretaria de Direitos Humanos", disse Pinaud que, há cerca de um mês, pediu demissão da presidência da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos alegando ter encontrado dificuldades em seu trabalho pela abertura dos arquivos e resgate da história das vítimas da ditadura. Na ocasião, segundo ele, os principais obstáculos à sua ação partiam da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

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