Ex-governador fala em injustiça

Defesa tentará rebater acusações com três argumentos

O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2007 | 00h00

O ex-governador Zeca do PT disse a seus advogados que sente-se "profundamente injustiçado" com as denúncias que o envolvem e ao seu governo.Aliados e políticos próximos de José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca, afirmam que ele não está preocupado com relação ao mérito das acusações porque está convencido de que não praticou nem autorizou nenhuma irregularidade durante seus dois mandatos consecutivos, de 1999 a 2006.Em Campo Grande, recentemente, Zeca declarou que Ivanete Martins, sua acusadora, é que terá de provar o que diz. "Se ela tinha pleno conhecimento, ela era cúmplice dessa história macabra. Eu nem a conheço. Vai caber a ela provar."Depois de 8 anos de governo, Zeca passou a se dedicar a um escritório de consultoria a empresas, que montou no centro da capital de Mato Grosso do Sul. Os fins de semana ele costuma passar no Sítio Periquito, 17 hectares de sua propriedade, localizado às margens do Rio Aquidauna, no distrito de Camisão. Às vezes prefere descansar no Pesqueiro Estrela Vermelha, que também é seu, em sociedade com colegas do PT.Newley Amarilla, advogado de Zeca, trabalha com pelo menos três argumentos para neutralizar o cerco do Ministério Público e rebater a testemunha-chave, Ivanete. Ele sustenta "manifesta incompetência" dos promotores para conduzir investigação criminal, missão que segundo ele a Constituição reserva exclusivamente à polícia. Alega ainda que a acusação tem base em relatos sem credibilidade e diz que ao ex-governador nem sequer foi dada oportunidade de defesa."Não há nos autos qualquer indício que vincule Zeca a práticas delituosas", enfatiza Newley, da banca Newley, Romanowski, Araújo & Guerra Advogados Associados. "A Constituição repudia acusações genéricas e impede que mera presunção de culpa possa alicerçar denúncia criminal." Diz que a testemunha confessou ter feito denúncias por "mero sentimento de vingança".Os publicitários Geraldo Palhano e Ariosto Barbieri, das agências 2000 e Agilitá, negam negócios irregulares e pagamentos por fora. F.M.

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