Ex-governador do ES é condenado à prisão por escândalo

Ferreira foi sentenciado a 9 anos de prisão por desvio de projeto destinado a distribuir sopa a famílias carentes

Rodrigo Rangel, de O Estado de S.Paulo,

17 de maio de 2009 | 23h23

O ex-governador do Espírito Santo José Ignácio Ferreira foi sentenciado a nove anos de prisão por desvio de dinheiro de um projeto social destinado a distribuir sopa a famílias carentes. Ignácio, hoje sem partido, foi condenado por formação de quadrilha, apropriação indébita e lavagem de dinheiro. Por causa da demora no julgamento do processo, porém, ele pode acabar absolvido nas instâncias superiores.

 

Na mesma ação, também foram condenados a mulher de José Ignácio, Maria Helena Ferreira, funcionária de carreira do Senado, e o ex-ministro Aníbal Teixeira, que comandou a pasta do Planejamento no governo José Sarney (1985-1990). No Espírito Santo, Teixeira foi um dos responsáveis pelo projeto social, comandado pela então primeira-dama, que originou o processo.

 

A denúncia, feita pelo Ministério Público, gira em torno da construção de uma fábrica de sopa com dinheiro arrecadado de empresários que, depois, recebiam em troca benefícios fiscais concedidos pelo governo. Só que, segundo a acusação, o dinheiro que deveria ir para o projeto social era desviado para um caixa 2 destinado a pagar despesas pessoais e de campanha de José Ignácio.

 

Ex-senador e ex-presidente da Telebrás, Ignácio governou o Espírito Santo entre 1999 e 2002. Seu governo foi marcado por denúncias de corrupção. À época, o escândalo da fábrica sopa virou até tema de música em protestos contra o governo.

 

Ao Estado, José Ignácio disse que recorrerá da sentença, proferida pelo juiz da 7ª Vara Criminal de Vitória, Willian Silva. "O dinheiro era privado", diz. "Não há como ter um crime sem vítima." Apesar da condenação, Ignácio pode ser favorecido por uma brecha da lei. Nesta segunda-feira, quando a sentença deverá ser publicada, ele completará 70 anos, o que reduz os prazos de prescrição e, em instâncias superiores, pode acabar tornando nula a condenação. O processo passou oito anos na Justiça.

 

José Ignácio, que ainda responde a outras processos, se comparou à governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB), alvo de denúncias de corrupção. "Acho que agora é a Yeda que está vivendo seu inferno astral, um drama que, na minha opinião, é imerecido", afirmou. O ex-governador disse não se arrepender de nada. "Rigorosamente, não tem um fato que me faça sentir com a consciência presa." O ex-governador poderá recorrer da sentença em liberdade.

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