Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Ex-governador de Mato Grosso é procurado pela polícia

Silval Barbosa (PMDB) teve prisão decretada e é tratado pela PM como foragido; ele e dois ex-secretários são suspeitos de corrupção e lavagem

Fátima Lessa, especial para O Estado de S. Paulo, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2015 | 10h49

CUIABÁ - Com mandado de prisão expedido pela 7ª vara da justiça de MT, o ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB) continua foragido da Polícia. Por determinação do secretário adjunto da SESP/MT, coronel Joelson Sampaio, todas as equipes da PM estão autorizadas a realizar abordagens em busca do político.

O ex-governador Silval Barbosas e dois ex-secretários de estado do seu governo, Pedro Nadaf (Casa Civil) e Marcel Cursi (Fazenda) tiveram mandados de prisão decretados na tarde de terça-feira, 15, sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a venda de incentivo fiscais do Estado. Do trio, apenas o ex-governador não foi preso até agora.

Uma das empresas que teria sofrido extorsão divulgou nota confirmando que durante o período de 2013 a 2014 pagou para não perder os incentivos fiscais.Segundo investigações da Polícia Civil, o proprietário da empresa, Júlio Batista Rosa, gastou R$ 2,6 milhões para obter incentivo fiscal através do programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic). Todos os pagamentos foram, segundo as apurações, negociados pelo ex-titular Casa Civil, Pedro Nadaf. O ex-governador Silval Barbosa, iria depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia Fiscal da Asembleia Legislativa de Mato Grosso, que investiga o programa de incentivos do governo estadual, também na tarde da terça-feira, mas não compareceu.

Ao todo, os agentes cumpriram 11 mandados de busca e apreensão nas casas dos dois ex-secretários e do ex-governador além da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomercio), NBC Assessoria, Consultoria, Planejamento e Investimentos. Também forem feitas buscas na casas de três parentes dos suspeitos. Além dos mandados de prisão preventiva, de busca e apreensão foram cumpridas duas medidas cautelares restritivas com monitoramento eletrônico de Karla Cecília Cintra e Silvio Cezar Correa Araújo.

O nome da operação, Sodoma, é uma referência à cidade bíblica de Sodoma que foi destruída em razão dos elevados níveis de corrupção praticada pelos moradores.

Segundo a assessoria da Secretaria de Segurança Pública, a ação corre em segredo de justiça e por isso não são divulgados mais detalhes. A operação foi deflagrada pelo grupo operacional do Comitê Institucional de Recuperação de Ativos (CIRA) integrado pela Delegacia de Combate à Corrupção, Ministério Público, Secretaria de Fazenda de Mato Grosso e procuradoria Geral do Estado com apoio do Sistema de Inteligência do Estado.

Os presos. Depois de prestarem depoimento, por mais de cinco horas na noite da terça-feira, os dois ex-secretários fizeram exames no IML e em seguida foram levados para o Centro de Custódia de Cuiabá, no bairro Carumbé. Também na terça-feira, durante cumprimento de mandados, agentes policiais apreenderam CDs e pen drives na casa de Barbosa. As investigações que culminaram com o pedido de prisão dos dois ex-secretários, Pedro nadaf e Marcel de Cursi (Fazenda) e do ex-governador começaram há mais de quatro meses. 

Antecedentes. Barbosa e os ex-auxiliares são investigados pelo Ministério Público Estadual. No primeiro semestre, os três tiveram seus bens bloqueados. O órgão suspeita de incentivo  de R$ 73 milhões concedidos ao grupo JBS. De acordo com os autos, as exigências para obter  o benefício difcultou o acesso ao crédito e que teria havido direcionamento para que apenas o JBS conseguisse. Na mesma ação tambem está envolvido outro ex-secretário de estado de Fazenda, da gestão Barbosa, o Edmilson Santos.

Procurados por telefone, os advogados do ex-governador (Valber Mello e Ulisses Rabaneda), do ex-secretário Nadaf, o Willian Khalil não atenderam os telefones. A defesa de Marcel Cursi não foi localizada.


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