Ex-gerente do Comperj diz à CPI da Petrobrás que desconhecia cartelização

Jansen Ferreira da Silva disse à CPI da Petrobrás nesta terça-feira, 28, que não havia nenhum elemento que provasse a formação de cartel entre as empreiteiras

DAIENE CARDOSO, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2015 | 18h33

Brasília - O ex-gerente-geral do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) Jansen Ferreira da Silva disse à CPI da Petrobrás nesta terça-feira, 28, que não havia nenhum elemento que provasse a formação de cartel entre as empreiteiras. "Cartelização é um fenômeno econômico exógeno. Pode ter existido? Pode, mas eu desconheço", respondeu.

Jansen foi gerente-geral do Comperj na área de engenharia entre 2010 e 2012 e foi indicado para a função pelo ex-diretor de Serviços, Renato Duque. "Minha relação com Duque era amistosa. Sou amigo dele há mais de 30 anos", revelou. "Nunca desconfiei de nada", emendou o ex-gerente, para revolta dos deputados. "Todo mundo que vem aqui diz que não sabia de nada", rebateu a deputada Eliziane Gama (PPS-MA).

Quarto depoente do dia na comissão, Jansen relatou que os aditivos contratuais foram assinados pelo ex-gerente de Serviços Pedro Barusco, mas admitiu que assinou os aditivos de terraplenagem. Jansen foi afastado devido a investigações internas na companhia, mas disse que a questão "nada tem a ver" com as obras do Comperj. Hoje ele é aposentado e está fora das atividades da empresa há três anos.

Oitivas. Além de Jansen, a CPI ouviu nesta terça-feira, 28, três depoimentos: do gerente de Informação Técnica e Propriedade Intelectual da Petrobras Fernando de Castro Sá; do ex-integrante do Comitê de Auditoria da estatal Mauro Cunha; e do ex-presidente da área petroquímica do Comperj Nilo Vieira Filho. As oitivas ocorreram no âmbito da sub-relatoria que investiga superfaturamento e gestão temerária na construção de refinarias no País.

Os depoimentos mais contundentes foram os de Sá e de Cunha, nos quais ambos apontaram irregularidades na estatal. Sá reafirmou que havia ingerência do "clube das empreiteiras" na orientação dos contratos da Petrobras e que ele foi perseguido por não ratificar pareceres. Segundo ele, havia pareceres até para pagamento de serviços não realizados.

Cunha criticou a falta de independência do Conselho de Administração da Petrobras em relação ao governo, apontou a política de preços de combustíveis como uma das responsáveis pela crise financeira da empresa e condenou o lançamento dos prejuízos com corrupção no último balanço da Petrobras. Jansen e Vieira negaram irregularidades no Comperj.

Também estava previsto o depoimento de Maurício Guedes para esta terça, mas devido ao esvaziamento da sessão os deputados adiaram a oitiva.

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