Ex-gerente do Banpará deve ser convocado amanhã

A comissão do Conselho de Ética do Senado, que investiga o envolvimento do presidente licenciado da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA) nos desvios do Banco do Estado do Pará (Banpará), está apostando tudo no depoimento do ex-gerente da instituição Marcílio Guerreiro de Figueiredo. Tanto é, que deverá antecipar para amanhã a convocação de Guerreiro, responsável pela emissão de cinco cheques administrativos utilizados nas aplicações feitas por Jader no banco Itaú, no Rio.O ex-gerente do Banpará foi uma das poucas pessoas punidas pelas irregularidades ocorridas entre 1983 e 1987, quando Jader era governador do Pará. Guerreiro assinou cinco dos nove cheques administrativos usados em aplicações que tiveram como beneficiário o presidente licenciado do Senado, cujo valor hoje equivale a R$ 3.084 milhões. Desde que foi demitido do Banpará, em novembro de 84, Marcílio Guerreiro evita falar sobre as fraudes. Por este motivo, os senadores da comissão de investigação do Conselho de Ética esperam muito do depoimento do ex-gerente. "Ele (Guerreiro) sabe de muita coisa. O ex-gerente vai ter que explicar porque assinou os cheques e quem lhe ordenou", afirmou o senador Jefferson Peres (PDT-AM). Em seu depoimento à Polícia Civil, em 1990, Guerreiro afirmou que recebia determinação de outras pessoas. "A emissão dos cheques administrativos somente precedia-se com ordem superior", contou o ex-gerente. Segundo seu advogado, Osvaldo Serrão, Guerreiro pagou um preço muito alto pelo que fez. "Acabaram com a vida dele. Humilharam muito ele", diz Serrão. Na polícia, Guerreiro chegou a indicar quem eram seus superiores, mas no relatório final do inquérito os nomes foram omitidos.Mentira configuradaOs senadores querem ouvir Guerreiro antes do depoimento de Jader, marcado para quarta-feira. A comissão quer ter mais elementos além das provas já apresentadas pelo Banco Central, apontando o senador como um dos beneficiários dos desvios de recursos do Banpará. "Ele terá que dar uma explicação convincente sobre as aplicações em que haviam cheques seus e do Banpará", disse Jefferson Peres. Se isso não ocorrer, segundo o senador, estará configurada a mentira e, consequentemente, dará margem à abertura de processo por quebra de decoro parlamentar. Peres explica que pouco adiantará Jader apresentar como prova o parecer jurídico do BC, de 92, que tem lhe servido em todas as manifestações públicas como peça de defesa. "Tanto o ex-presidente do BC Francisco Gros, quanto o procurador José Coelho Ferreira, disseram à comissão que não inocentaram os envolvidos no desvio do Banpará", afirmou Peres.Outro integrante da comissão, João Alberto (PMDB-MA), aliado do presidente licenciado do Senado, ressaltou que o objetivo é saber se Jader mentiu. "A nossa função não é saber se houve desvio no Banpará, mas sim, verificar se o senador Jader mentiu ou não a seus pares sobre seu envolvimento no caso", explicou João Alberto. No entanto, o senador maranhaense ficou impressionado, conforme disse a colegas do partido, com os documentos e a explanação detalhada das operações envolvendo Jader, feita pelo inspetor do BC, Abrahão Patruni Júnior, na semana passada. Na conversa que tem tido com partidários, João Alberto admite que a situação do presidente licenciado do Senado é complicada.

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