Ex-gerente da Petrobrás diz a CPI que ex-presidentes da estatal sabiam de irregularidades

Ex-gerente da Diretoria de Abastecimento voltou a afirma que cúpula da estatal tinha conhecimento da 'pouca viabilidade' de obras como a refinaria de Abreu e Lima

EDUARDO RODRIGUES, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 15h05

Brasília - A ex-gerente da área de abastecimento da Petrobrás Venina Velosa disse nesta terça-feira, 22, que os ex-presidentes da estatal José Sérgio Gabrielli e Maria das Graças Foster tinham conhecimento de problemas e irregularidades em projetos da companhia.

Em resposta a questionamentos do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), Venina afirmou que Gabrielli fazia parte do colegiado que aprovava os maiores contratos da Petrobrás, portanto sabia da inviabilidade ou da pouca viabilidade de projetos como a Refinaria de Abreu e Lima. “Um projeto com viabilidade negativa de R$ 2,5 bilhões com certeza seria do conhecimento dele”, afirmou a ex-gerente. 

Ela também reiterou que Graça Foster teria sido informada por ela, pessoalmente e por e-mail, sobre irregularidades nas contratações da estatal. Os avisos teriam começado ainda em 2008, antes da Polícia Federal deflagrar a Operação Lava Jato.

'Choque'. Mais cedo, Venina apresentou um breve relato de seu currículo, desde a sua entrada na estatal em 1990 como geóloga, passando pela gerência de contratos na Gaspetro, gerência do setor de faturamento de gás natural na matriz, até chegar à gerência subordinada a Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da companhia, de onde foi mandada em 2010 para a subsidiária da petrolífera em Cingapura. 

Em depoimento à Justiça no início do ano, Venina disse que em 2009 ocorreu "um choque, um confronto grande" entre ela e Costa. O motivo da desavença, segundo ela, foi o alerta que diz ter feito sobre a "escalada de preços" nas obras da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco - polêmico empreendimento que se tornou alvo da Operação Lava Jato.

A refinaria é um dos negócios investigados pela CPI da Petrobrás na Câmara dos Deputados. "Fui ao Ministério Público voluntariamente prestar depoimento, entreguei meu computador com informações desde 2002 e entrei com uma ação contra a Petrobras por danos morais. Continuo esperando por uma recolocação na empresa", afirmou em depoimento, na condição de testemunha, à CPI.

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