Ed Ferreira/Estadão
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Ex-gerente da Abreu e Lima nega recebimento de propina

Glauco Colepicolo Legatti declarou que não recebeu 'nenhum centavo' do empresário Shinko Nakandakari

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2015 | 10h36

Texto atualizado às 11h26

BRASÍLIA - Em depoimento à CPI da Petrobrás, o ex-gerente geral de Implementação de Empreendimentos para a Refinaria Abreu e Lima, Glauco Colepicolo Legatti, declarou nesta terça-feira, 31, que não recebeu "nenhum centavo" do empresário Shinko Nakandakari. Legatti disse que preferiu não tomar nenhuma ação direta contra o delator da Operação Lava Jato e que prefere fazer os esclarecimentos diretamente ao juiz Sérgio Moro. 



"Não tomei nenhuma ação mais direta tendo em vista que qualquer ação para contestar essa fala não seria conveniente neste momento. Logo depois que ele fez a delação e a declaração lá em Curitiba, entramos com uma petição para que eu, de viva-voz, vá lá para esclarecer ao juiz Sérgio Moro que não recebi dinheiro do senhor Shinko Nakandakari", respondeu.


Legatti, que conduziu as obras na refinaria entre 2008 e 2014, admitiu ter relação de amizade com Nakandakari, mas que ele não falava em nome da empreiteira Galvão Engenharia. Ele disse que ficou "surpreso" ao saber que Nakandakari era operador de "outras pessoas" no esquema de corrupção na Petrobrás. 


O engenheiro Shinko Nakandakari afirmou à força tarefa do Ministério Público Federal que ofereceu “na cara e na coragem” propina para o gerente geral da Refinaria do Nordeste (RNEST) Glauco Colepícolo Legatti. Segundo Nakandakari, na Petrobrás “era muito difícil aprovar aditivo (aos contratos)”.

“Glauco não facilitava nada. Para que esse aditivo fosse aprovado é que era pago o valor para Glauco.”

Ao todo, segundo o delator, foram repassados R$ 400 mil para Legatti, valor pago “em parcelas”. O primeiro pagamento foi em junho de 2013. “A princípio a reação de Glauco não foi natural, em nenhum momento eu tinha tido esse tipo de relacionamento com ele”, disse Nakandakari.

O ex-gerente também negou que a obra tenha sofrido superfaturamento. De acordo com ele, mudanças de adequação e o câmbio interferiram no valor final da refinaria. 

“Não tem um centavo pago que não tenha serviço em contrapartida”, afirmou. Ele ressaltou que todos os contratos pagos estavam dentro da margem de preço proposta pela Petrobrás. “Não tem superfaturamento na obra, de maneira alguma”, repetiu. 

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