Ex-funcionária de Valério alega que ignorava mensalão

Geiza Dias foi interrogada como ré no processo que apura o caso, acusada de evasão de divisas e outros

Agencia Estado

21 Janeiro 2008 | 20h14

Em depoimento prestado nesta segunda-feira, 21, à Justiça Federal, Geiza Dias dos Santos, ex-assistente financeira da agência de SMP&B, atribuiu exclusivamente ao publicitário Marcos Valério de Souza as ordens para emissão de cheques e reserva de dinheiro para saques supostamente em favor dos envolvidos no esquema do mensalão.   Geiza foi interrogada como ré no processo que apura o caso, acusada de evasão de divisas, formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ela trabalhou por dez anos na agência e, na sua função, acompanhava saldos bancários, contas a pagar e a receber, pagamento de salários e faturamento da empresa. Sua defesa consistiu em tentar provar que ela era apenas uma funcionária subalterna, sem autonomia e consciência de que, por trás das liberações para pagamento, poderia existir um esquema criminoso, como acredita o Ministério Público Federal.Geiza afirmou que Valério era quem dava ordens para que os cheques, sempre nominais em nome da própria SMP&B, fossem feitos ou para que ela enviasse e-mails a gerentes de banco para fazer reserva de dinheiro, informando também quem iria sacar a quantia. A ordem, segundo ela, era não questionar.   "Ele falou que eu era paga para fazer, não para pensar", disse. De acordo com ela, ordens semelhantes jamais partiram dos demais diretores da empresa, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach. Eles, inclusive, teriam estranhado esse tipo de movimentação financeira algumas vezes. "Já me perguntaram: ''Que cheque é esse?''. Eu respondia que não sabia, que era coisa do Marcos Valério", afirmou. Os cheques, disse Geiza, começaram a ser emitidos a partir de 2003.Ela afirmou que jamais sacou dinheiro algum para entregar a alguém e tampouco remeteu alguma quantia para o exterior - salvo para inscrição da agência em premiações internacionais. "A minha cliente apenas informava aos bancos o que estava sendo feito, mas não tinha autonomia alguma. Ela cumpria uma ordem que, aparentemente, não era ilegal", declarou o advogado de Geiza, Paulo Sérgio Abreu e Silva. Para Marcelo Leonardo, advogado de Marcos Valério, o depoimento da ex-assistente foi absolutamente coerente com o que o publicitário já disse quando interrogado. Ressalva apenas para a responsabilização exclusiva de seu cliente pelos repasses. "Isso foi o que ela falou. Entre os diretores, a coisa não era assim." AdautoAnderson Adauto, atual prefeito de Uberaba, no Triângulo Mineiro, e ex-ministro dos Transportes do governo Lula, também depôs ontem e refutou as acusações de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Confirmou que recebeu R$ 410 mil de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, em virtude de dívidas contraídas na campanha de Adauto para as eleições de 2002, quando se elegeu deputado federal.Disse ser falsa a acusação de corrupção ativa. Adauto afirmou que aconselhou, como amigo, o parlamentar Romeu Queiroz (PTB-MG) a recorrer a Delúbio quando passou por endividamento provocado pelo mesmo motivo.

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