Ex-dono da PIP critica França por recomendar remoção de implante

O fundador da empresa francesa PIP, envolvida em um escândalo mundial por causa da fabricação de implantes mamários com silicone adulterado, admitiu nesta quarta-feira ter cometido irregularidades industriais, mas disse que a França age de forma "criminosa" ao recomendar que todas as usuárias das próteses as retirem.

REUTERS

18 de janeiro de 2012 | 11h19

As próteses feitas com silicone industrial podem se romper com maior facilidade, causando irritações e inflamações, e há suspeitas de que tenham provocado pelo menos um caso de câncer. Países como Grã-Bretanha, Brasil e Argentina recomendaram que as mulheres procurassem seus médicos para avaliar a situação, mas a França foi mais longe e orientou todas as 30 mil usuárias de próteses PIP a retirá-las.

Numa rápida e desafiadora entrevista à rádio RTL, Jean-Claude Mas, fundador da empresa Poly Implant Prothese (PIP), disse que nunca negou que havia falta de aprovação oficial ao gel de silicone caseiro que ele usava nas próteses, mas reiterou que não há risco à saúde.

Segundo ele, "não há razão médica e científica" para crer que o silicone industrial usado pela PIP seja tóxico. O industrial argumentou ainda que "um produto químico pode ser usado para fazer várias coisas".

O empresário usou termos duros para se referir ao ministro francês da Saúde, Xavier Bertrand. "Esse homem decidiu reembolsar as pacientes embora não houvesse razão médica para tal", disse Mas. "Por que pagar pelas retiradas dos implantes das mulheres se há um risco cirúrgico real? Essa decisão é criminosa."

A França disse que arcará com os custos da retirada de todas as próteses PIP, e ainda oferecerá novas próteses para mulheres que tiveram mamas extirpadas após casos de câncer.

A PIP já foi a terceira maior fábrica mundial de próteses de silicone, com 300 mil peças vendidas. Em 2010, autoridades francesas interditaram a fábrica, que posteriormente faliu.

Até agora, ninguém foi punido pelo caso, mas uma fonte judicial disse à Reuters que quatro a seis gerentes da PIP devem ser julgados em outubro em Marselha por fraude e práticas empresariais enganadoras.

Outra investigação, de homicídio culposo, foi aberta no mês passado devido a suspeitas envolvendo a morte por câncer de uma mulher que usava próteses PIP.

(Reportagem de Alexandria Sage)

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