Fernando Chaves/PSC
Fernando Chaves/PSC

Ex-dirigente do PSC é suspeito de usar Fundo Partidário para pagar prostitutas

Atual direção do partido remeteu gravação à Justiça Eleitoral em que Vitor Jorge Abdala Nósseis teria relatado uso do dinheiro para manter relações sexuais com mulheres

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2018 | 18h24

BRASÍLIA - O ex-presidente nacional do PSC Vitor Jorge Abdala Nósseis é suspeito de pagar prostitutas com dinheiro público do Fundo Partidário. A atual direção nacional do PSC remeteu à Justiça Eleitoral uma gravação, atribuída a Nósseis, em que ele admitiria ter usado verbas destinadas à Fundação Instituto Pedro Aleixo, ligada ao partido até o ano passado, para manter relações sexuais com mulheres.

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No áudio, o interlocutor relata: “Eu tô vendo uma fofoca... Diz que eu dei dinheiro, né? Eu dei dinheiro da fundação pra comer as puta (sic)... Conversa dela. Falei ‘dei mesmo e comi’. Qual o problema? E agora? Vai fazer o que comigo? Dei, mas elas se formaram. Recuperei elas (sic) todas pra vida. Cê vê (sic), a Samantha é uma mesmo. A Keila é outra. Tem umas três na Europa. Já viraram, tudo virou gente. Formaram, tem mais de 20”.

A gravação foi anexada pelo próprio PSC na prestação de contas de 2017, entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A corte tornou os dados públicos. Até o ano passado, as fundações partidárias recebiam 20% do total destinado às legendas pelo Fundo Partidário – cerca R$ 3 milhões nesse caso. O dinheiro deveria custear atividades de formação política, cursos e eventos. No áudio, o interlocutor não cita valores.

O Ministério Público de Minas Gerais abriu um procedimento preparatório para investigar o caso após provocação da direção atual do PSC. Num despacho de maio de 2017, o promotor Marcelo Oliveira Costa informa ter ouvido Nósseis. O dirigente disse ao MP não se lembrar da conversa gravada e argumentou que a prova era ilícita. “Não se pode levar em consideração uma conversa informal, descontraída, com ‘animus’ de instigar os malfeitores”, afirmou Nósseis ao MP.

O promotor também pediu que o Instituto Pedro Aleixo informe se houve repasse de dinheiro público a alguma das mulheres citadas no áudio. O advogado e delegado nacional do PSC, Alessandro Martello Panno, representou contra Nósseis no Ministério Público e encaminhou a gravação ao TSE e à Polícia Federal. O partido diz que obteve o áudio por meio de denúncia anônima.

Procurado por telefone e por e-mail ontem à tarde pela reportagem, Nósseis não havia respondido até a conclusão desta edição. O presidente do PSC, Pastor Everaldo Pereira, disse que não comentaria. Em nota, o diretório nacional do partido afirmou que decidiu extinguir o vínculo com a fundação pela ausência de atividade realizada para atender a sua razão de existir, tendo em vistas fatos graves apresentados por auditoria do MP.

Nósseis era vice-presidente da Fundação Instituto Pedro Aleixo, sediada em Belo Horizonte, cujos vínculos com o PSC já foram encerrados. Fundador da sigla, ele também foi presidente de honra do diretório nacional, mas terminou expulso do partido. O caso foi antecipado pelo site do jornal O Globo. O Estado teve acesso ao conteúdo do processo.

Disputa. Em 2015, Nósseis perdeu na convenção nacional o controle do PSC, após 30 anos no comando do partido, para Everaldo, candidato à Presidência da República derrotado no ano anterior. Desde então, eles disputam em diferentes instâncias partidárias e judiciais o comando da legenda.

O ex-dirigente tenta agora afastar a atual direção do partido. Ele pediu o bloqueio das contas com recursos do Fundo Partidário e do Eleitoral, alegando suposta prática de corrupção e malversação de recursos.

Ouça o áudio completo: 

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