Ex-diretores do Rural devem responder por empréstimo fictício

Em dia tumultuado por uma crise interna, três dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acataram ontem o pedido de abertura de ação penal contra quatro dirigentes do Banco Rural. Aqueles que podem se tornar os primeiros réus no processo do mensalão são acusados de autorizar empréstimos fictícios ao suposto operador do esquema, o empresário Marcos Valério. No segundo dia de embates sobre a abertura ou não do processo, a corte ainda considerou válidas todas as provas apresentadas.Os advogados dos 40 acusados, que tentavam desqualificar essas evidências, mantiveram o tiroteio contra o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia. Alegaram que a peça do Ministério Público carece de lógica, se assemelha a "novela da TV Globo", é confusa e açodada.O STF terá três caminhos básicos a seguir: acolher integralmente a denúncia, abrir ação contra parte do grupo ou desmembrar o processo. Ontem, porém, em meio ao julgamento - que cita sete crimes e envolve personagens que tiveram grande relevância no governo e no PT -, os holofotes se voltaram para os ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia, que tiveram diálogos por computador flagrados por um fotógrafo. Nas mensagens trocadas, temperadas de muita intriga, os integrantes do STF levantam suspeitas de influência política e combinação de votos. Um trecho sugere que o ministro Eros Grau rejeitaria a denúncia, em uma "troca" com o governo, associada a uma nomeação no STF. "Nunca vi esse tipo de diálogo no tribunal", reagiu ele, exaltado.À tarde, um acordo alinhavado pela presidente da corte, Ellen Gracie, pôs panos quentes na crise.Para o presidente Lula, a quem cabe nomear ministros no STF, houve "invasão de privacidade". Avalia que é mais um episódio de bisbilhotice da mídia.

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