Ex-diretora do Banco Rural foge de acusações do mensalão

Ayanna Tenório-que depôs nesta 2ª -é acusada de fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Elizabeth Lopes e Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

17 de março de 2008 | 18h27

A ex-vice-presidente operacional do Banco Rural e uma das rés no caso do mensalão, Ayanna Tenório,  esquivou-se das denúncias de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha das quais é acusada no caso. "Ela veio esclarecer hoje ao juiz que sua função no banco não era de ordem financeira. Como vice-presidente operacional da instituição ela era responsável pela reestruturação administrativa do banco", afirmou seu advogado Rodrigo Mendonça.   Veja também:        ESPECIAL: os 40 do mensalão  Ex-ministro e mais 2 réus chegam para depor sobre mensalão   O interrogatório de Ayanna Tenório começou por volta das 13h30 e ela deixou o prédio da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo por volta das 17h00, sem falar com a imprensa. Em razão de uma cirurgia realizada no tornozelo, ela estava de muletas.   O advogado da ex-vice-presidente do banco informou à imprensa que no depoimento ao juiz substituto da 2ª Vara, Marcio Ferro Catapani, ela negou que tenha votado a favor de qualquer concessão de crédito à empresa SMP&B do publicitário Marcos Valério, que também é um dos réus neste processo.   O advogado de Ayanna disse, contudo, que ela participou de duas renovações de crédito, "um procedimento formal, porque tudo já vinha pronto do comitê de crédito da instituição". Mendonça afirmou também que ela nunca trabalhou no mercado financeiro e, portanto, esse tipo de aprovação se dava "unicamente por uma questão de formalidade necessária por ser vice-presidente operacional do banco".   Segundo fontes com acesso ao depoimento, Ayanna Tenório reforçou ao juiz Marcio Ferro Catapani que "não tinha responsabilidade pelas ações financeiras do banco". Ela disse que sua função era de reorganizar a instituição, com função estratégica voltada para as áreas de recursos humanos e marketing. Ela negou que executasse qualquer tipo de função na área comercial.   Ao juiz Marcio Ferro Catapani, a ex-vice-presidente de operações do Banco Rural disse que só votou a renovação de dois empréstimos para empresa de Marcos Valério porque seguiu todas as orientações do comitê de crédito da instituição. E disse que as concessões de empréstimo do Banco Rural eram de responsabilidade do ex-presidente da instituição José Augusto Dumont, já falecido. E frisou que sua função era de reorganização do banco, num setor meramente administrativo e que nunca trabalhou na área financeira.   Além de negar qualquer responsabilidade sobre os empréstimos feitos pelo banco à empresa do publicitário Marcos Valerio, ela citou que dois empréstimos à empresa SMP&B foram renovados por causa de uma estratégica de negociação do banco que julgava mais prático receber o dinheiro dessa maneira, do que num embate judicial, que poderia levar anos. E voltou a dizer que seu voto pela renovação dos dois empréstimos foi apenas "um voto formal, uma exigência da formalidade do banco e de acordo com as orientações do comitê de crédito".   O advogado de Ayanna disse que ela trabalhou no Banco Rural de 2004 a 2006. Atualmente, ela atua em uma empresa de consultoria. Rodrigo Mendonça disse, ainda, que a cirurgia no tornozelo de sua cliente foi motivada por um tombo que ela levou. "Ela caiu e teve que fazer essa cirurgia", destacou, após conceder a entrevista e voltar para o prédio da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo para acompanhar os interrogatórios dos outros réus no processo do mensalão, ex-ministro chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República Luiz Gushiken e o ex-deputado federal Professor Luizinho (PT-SP).

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