Ex-diretora da Gautama fica calada em depoimento à CPI

Comissão foi aberta para apurar denúncias de irregularidades na execução de obras no Distrito Federal

RICARDO RODRIGUES, Agencia Estado

28 de abril de 2008 | 15h04

A ex-diretora comercial da Construtora Gautama, Maria de Fátima Palmeira, foi ouvida nesta segunda-feira, 28, na sede da Polícia Federal (PF), em Maceió, por três deputados distritais que integram a CPI da Gautama aberta para apurar denúncias de irregularidades na execução de obras no Distrito Federal, realizadas com recursos federais. Ela estava acompanhada do advogado Fábio Ferrario e se reservou no direito de não dizer nada. Os deputados distritais Bispo Renato (PR), Júnior Bruneli (DEM) e Cabo Patrício (PT), que participaram do depoimento, afirmaram que a ex-diretora apresentou um habeas-corpus que lhe dava o direito ao silêncio. Segundo eles, a ex-diretora será indiciada, uma vez que já foi revelada a sua suposta participação no desvio de R$ 3,5 milhões - de um montante de R$ 145 milhões liberados pelo Ministério da Integração Nacional para obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Preto, no Distrito Federal. "Infelizmente, demos viagem perdida, porque a ex-diretora da Gautama se recusou a responder as perguntas. Mesmo assim ela será indiciada, a exemplo dos demais envolvidos nesse escândalo", afirmou Cabo Patrício. Segundo ele, a CPI deve ser concluída no dia 12 de maio, com o indiciamento de todos os envolvidos. Os três deputados disseram ainda vão ouvir amanhã, em Salvador (BA), o depoimento do empresário Zuleiro Veras e de dois funcionários da construtora. "O depoimento do dono da construtora está marcado para 17 horas, na sede da Polícia Federal da capital baiana", afirmou Patrício.Operação NavalhaO golpe foi descoberto durante a Operação Navalha, da PF. Foram presos o empresário Zuleido Veras e Maria de Fátima Palmeira, assim como políticos e agentes públicos, acusados de envolvimento no desvio de recursos federais destinados a obras públicas. Na ocasião, dois ex-secretários do governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB) - Adeilson Bezerra e Enéas Alencastro - também foram parar na cadeia por uns dias, acusados de ligação com o esquema.

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