Ex-diretora acusa Tuma Jr de 'politizar' órgão da Justiça

A ex-diretora-geral do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), Maria Rosa Guimarães Lola, acusou o Secretário Nacional de Justiça (SNJ), Romeu Tuma Júnior, de "politizar" o órgão, que é vinculado ao Ministério da Justiça. Em carta ao ministro da Justiça, Tarso Genro, e a superiores hierárquicos, ela argumentou que a "politização" foi o principal motivo de sua renúncia ao posto que ocupava no DRCI, no início da semana. Ela e sua diretora-adjunta, Carolina Yume, se dizem incompatibilizadas com o direcionamento político de Tuma Júnior.Um dos principais e mais eficientes sistemas de rastreamento de dinheiro brasileiro em circulação irregular no exterior, a DRCI alimenta diversas investigações dentro e fora do Brasil, com dados sigilosos de movimentações financeiras suspeitas. Isso inclui todos os atores da política e economia nacionais, inclusive parlamentares e líderes políticos regionais. As renúncias e o conteúdo da carta que as explica surgiram após denúncia da revista Veja sugerindo a formação de dossiês por parte de Tuma Júnior, a quem a reportagem da revista atribui a frase, que teria sido dita aos demissionários: "Eu quero saber de todos os casos que envolverem políticos, para poder cobrar a fatura depois". Em um trecho da carta, a diretora demissionária diz: "Tenho a convicção de que o secretário precisa de liberdade para impor seu direcionamento político e seu sistema de administração, relacionando-se com seus departamentos como melhor lhe parecer". Mais adiante refere-se a Tuma Júnior: "Entendo que o direcionamento político e o sistema de gestão com os quais sempre trabalhei no DRCI se apresentam inadequados para V. Sa (...) Me parece haver clara indicação, externada por meio das mais recentes atos da SNJ, de incompatibilidade entre a minha concepção de Departamento e aquela da Secretaria". Tuma Júnior foi nomeado para o cargo em setembro passado, numa operação política que envolveu a transferência de seu pai, o senador Romeu Tuma (SP), para a base aliada do governo. O secretário garantiu ao governo que jamais proferiu tal frase. "Entrego meu cargo se alguém provar que disse tal absurdo", enfatizou. O secretário nega a acusação, mas a assessoria jurídica do Ministério estuda abrir sindicância para investigar a suspeita de uso político do cargo e de tentativa de aparelhamento do DRCI, segundo informou o secretário-executivo da pasta, Luiz Paulo Barreto Teles, que promete a investigação mas já tem opinião prévia sobre a inocência de Tuma. "A acusação é claramente improcedente e o Ministério tem plena confiança na competência e integridade do secretário", observou Teles.

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