Ex-diretor entrega conta de operador do PMDB

Segundo Paulo Roberto Costa disse na delação, Fernando Baiano fez depósitos no paraíso fiscal de Liechtenstein no valor de R$ 2,5 milhões

RICARDO BRANDT, ENVIADO ESPECIAL / CURITIBA, FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2014 | 02h00

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa revelou em sua delação premiada que o homem apontado como operador de uma ala do PMDB no esquema de cartel e corrupção na estatal, Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, recebeu R$ 2,5 milhões da cota de 1% da propina cobrada pelo PP e apontou o banco onde foi feito o depósito no paraíso fiscal de Liechtenstein.

Paulo Roberto Costa disse ainda que recebeu R$ 3 milhões de Fernando Baiano e que os dois viajaram à Suíça, quando soube da conta do operador.

As revelações do ex-diretor de Abastecimento podem levar Fernando Baiano a também fechar acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Conforme o Estado revelou ontem, a suspeita é de que o PMDB tinha vários operadores na Petrobrás.

Negativa. Sob risco de ser condenado a uma pena superior à que foi aplicada ao operador do mensalão, Marcos Valério - 37 anos - , Fernando Baiano está recolhido na Custódia da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 17 de novembro.

Ele afirmou que "nunca recebeu qualquer valor de Paulo Roberto", em depoimento no dia 21. Indagado se tem recursos depositados no exterior, respondeu ter duas contas em Liechtenstein, mas negou ser operador do PMDB ou envolvimento no esquema alvo da Lava Jato.

As revelações de Costa, no entanto, colocam em xeque a versão de Fernando Baiano. O ex-diretor de Abastecimento afirmou que não só deu dinheiro da cota do PP a Fernando Baiano, como recebeu dele R$ 3 milhões. Costa declarou ter ouvido dele a informação da existência de "R$ 4 milhões no exterior", durante uma reunião que tiveram na Petrobrás.

"(Fernando Baiano) enviou para uma das minhas contas a quantia de R$ 3 milhões", revelou Costa, que fez delação e confessou os desvios em troca de redução de pena. Ele comprometeu-se a devolver R$ 70 milhões. "Em um encontro na diretoria de Abastecimento ele (Fernando Baiano) me disse que tinha depositado R$ 4 milhões em uma conta no exterior."

"Uma vez eu fui com Fernando para a Suíça. Lá, eu soube da conta dele em Liechtenstein", contou o ex-diretor, que apontou ainda o nome do "responsável pelas contas" do operador do PMDB. "Ele enviou dinheiro meu para a Liechtenstein."

Fernando Baiano declarou à Polícia Federal uma conta em Liechtenstein que está em seu nome e outra em nome de sua empresa, a Technis Engenharia e Consultoria. Baiano garantiu que movimenta nessas duas contas apenas recursos próprios "e de forma oficial".

Diretorias. Na ação penal sobre desvios na refinaria de Abreu e Lima, o doleiro Alberto Youssef e Costa afirmaram que PT, PMDB e PP controlavam diretorias na Petrobrás, por meio das quais arrecadavam propina para partidos e campanhas. Apontaram Fernando Baiano como operador do PMDB atuando via Diretoria Internacional.

A Polícia Federal suspeita que o reduto de ação de Fernando Baiano na Petrobrás seja mesmo tal diretoria, que foi comandada por Nestor Cerveró, personagem emblemático da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, indicado pelo PMDB ao cargo.

A Justiça Federal já bloqueou quase R$ 9 milhões em suas contas e nas de suas empresas - além da Technis, a Hawk Eyes Administração de Bens Ltda.

Cerveró e o PMDB negam relações irregulares com Fernando Baiano. O advogado de Fernando Baiano, Mário Oliveira Filho, disse desconhecer a possibilidade de seu cliente fazer delação premiada. "Ele (Fernando Baiano) disse na PF que não é isso tudo que lhe atribuem."

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