Ex-diretor do Senado voou com cota de deputados

Pelo menos 42 bilhetes foram emitidos em favor de João Carlos Zoghbi e familiares

, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2009 | 00h00

O uso inadequado da cota de passagens aéreas da Câmara não permitiu viagens apenas de parlamentares e seus parentes. Pelo menos 42 bilhetes aéreos que faziam parte da cota dos deputados foram emitidos em favor do ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi e de seus familiares, segundo levantamento feito pelo site Congresso em Foco.As passagens foram compradas por meio do crédito de 12 deputados, mas todos negam ter autorizado tal emissão e dizem que sequer conhecem o ex-diretor. As viagens ocorreram entre fevereiro de 2007 e novembro de 2008.Um dos mais importantes integrantes da diretoria do Senado, Zoghbi pediu demissão no mês passado após denúncia do jornal Correio Braziliense, segundo a qual ele cedera para uso de um filho o imóvel funcional da Casa a que teria direito. Zoghbi negou as acusações.Agora, Zoghbi e outros seis parentes receberam os bilhetes aéreos da Câmara, sendo que dez das 42 passagens são para viagens internacionais. COTAS ORIGINAISSegundo o levantamento, os bilhetes saíram das cotas que pertenciam originalmente aos deputados Raimundo Veloso (PMDB-BA), Enio Bacci (PDT-RS), Julião Amin (PDT-MA), Armando Abílio (PTB-PB), Cezar Silvestri (PPS-PR), Nazareno Fonteles (PT-PI), Valadares Filho (PSB-SE), Nilson Pinto (PSDB-PA), Aníbal Gomes (PMDB-CE), Francisco Tenório (PMN-AL), Zé Geraldo (PT-BA) e Ayrton Xerez (DEM-RJ). Os trechos internacionais que foram usados pelo ex-diretor do Senado e por seus parentes incluíram destinos como Paris e Madri. Ao todo, foram usados 18 voos da TAM, 14 da Gol e dez da Varig. Sem reconhecer o repasse dessas passagens, os parlamentares envolvidos com o problema decidiram pedir informações para a diretoria da Câmara, a fim de saber como seus créditos foram usados para atender pessoas que não conhecem. O ex-diretor não se manifestou sobre o assunto.TRIANGULAÇÃO Se a Câmara dos Deputados deve "anistiar" a farra das viagens de deputados e seus parentes e amigos, poderá, entretanto, investigar a transferência dos créditos de passagens dos parlamentares para terceiros, que não sejam identificados pelos donos das cotas.A Câmara não descarta até que tenha havido boa-fé desses usuários e culpa de alguma outra pessoa ou de alguma agência de viagem, que teria aproveitado os bilhetes para revendê-los, sem ter esse direito.Há casos como o do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O ministro apareceu, assim como a sua esposa, como usuário de passagens aéreas emitidas pelo gabinete do deputado Paulo Roberto (PTB-RS). Só que Mendes, no entanto, tem os comprovantes do pagamento de suas passagens. É essa triangulação de passagens aéreas que poderá ser analisada pela Câmara dos Deputados, que admite a possibilidade de o mesmo ter ocorrido com Zoghbi e seus parentes.

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