Ex-diretor do Dnit-RN deve ser denunciado por fraudar licitação

Sobrinho de deputado do PR, Gledson Maia foi um dos suspeitos presos durante a Operação Via Ápia da PF, em 2010

Anna Ruth Dantas, especial para O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2011 | 23h00

NATAL - O Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte está preparando uma denúncia contra Gledson Maia, que atuava como diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) no Estado. Gledson foi um dos suspeitos presos durante a Operação Via Ápia, da Polícia Federal, deflagrada em novembro do ano passado, que investigou uma suposta fraude no Dnit.

 

Gledson é sobrinho do deputado João Maia (PR-RN) e do deputado distrital Agaciel Maia (PTC). A investigação da Operação Via Ápia, que identificou uma quadrilha atuando em fraudes e superfaturamento de processos licitatórios no Dnit, resultou em um inquérito com mais de 20 volumes. Os documentos foram repassados agora para o procurador da República Ronaldo Pinheiro, que deve apresentar a denúncia à Justiça Federal.

 

Além de Gledson, foram presos o diretor-geral do Dnit no Estado, Fernando Rocha Silveira, também indicado de João Maia, e outras quatro pessoas . Os suspeitos são acusados de desviar cerca de R$ 2 milhões das obras de duplicação da BR-101, no trecho entre a cidade de Arez até a divisa com a Paraíba.

 

Flagrante. A investigação da Polícia Federal no Dnit do Rio Grande do Norte resultou ainda em outro inquérito, que também tem como réu Gledson Maia, além do empresário Túlio Gabriel de Carvalho Beltrão Filho. Os dois foram presos pela Polícia Federal em um estacionamento de uma churrascaria na zona sul de Natal.

 

No momento da autuação, Gledson estava recebendo R$ 58.950,00 do empresário. Com o dinheiro também foi apreendida uma lista com nomes de empresas e valores, que estava em poder do sobrinho do deputado do PR.

 

A denúncia - feita pelo Ministério Público Federal e já recebida pela Justiça Federal - indica que Gledson recebia propina da empresa Arteleste Construções, que pertence ao pai de Túlio Gabriel e tem contrato com o Dnit.

 

O processo agora aguarda despacho do juiz Mário Jambo, da 2.ª Vara Federal. Ele analisará as defesas prévias apresentadas pelos réus, que pedem absolvição sumária. No despacho o magistrado terá duas alternativas: acolher o pedido de absolvição sumária ou continuar com o processo e já marcar as audiências para ouvir réus e testemunhas.

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