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Ex-diretor demitido por Cunha deu base a pedido de buscas na Câmara

Depoimento espontâneo de Luiz Antônio Eira foi decisivo para Supremo autorizar diligência contra peemedebista

Talita Fernandes, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2015 | 02h02

BRASÍLIA - O pedido da Procuradoria-Geral da República para ter acesso a documentos no setor de informática da Câmara foi motivado por depoimento prestado por Luiz Antônio Souza da Eira, ex-diretor da área de informática da Casa. A ação foi realizada entre segunda e terça-feira como parte das diligências da Operação Lava Jato em inquérito que investiga o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Eira foi voluntariamente à Procuradoria logo após ter sido exonerado, no dia 28, pelo peemedebista. O depoimento foi decisivo para que procuradores pedissem acesso a documentos disponíveis na Câmara - a busca não constava na lista de diligências inicialmente pedidas ao Supremo pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Procurado pelo Estado, Eira não quis se manifestar.

Cunha é suspeito de ter arquitetado a elaboração de dois requerimentos de informações sobre uma empresa contratada pela Petrobrás que, segundo delação do doleiro Alberto Youssef, teriam sido feitos como forma de pressão para o pagamento de propinas. Os pedidos foram apresentados na Câmara em 2011 pela hoje prefeita de Rio Bonito (RJ), Solange Pereira de Almeida, na época suplente de deputado, mas registros eletrônicos mostram Cunha como autor desses requerimentos.

O presidente da Câmara nega as acusações. Solange também isenta o aliado de envolvimento no caso, mas não soube explicar por que pediu informações sobre a Mitsui, empresa citada por Youssef e fornecedora de navio-sonda à Petrobrás.

Eira foi exonerado do cargo na Câmara um dia após o jornal Folha de S. Paulo revelar que Cunha era o autor dos requerimentos. Esse fato chamou a atenção dos procuradores. Ao justificar a demissão, Cunha sugeriu ser alvo de "represália" por ter alterado a carga horária dos funcionários do setor. Ele também vê nas ações de Janot "desespero" em querer "provar o que não aconteceu".

Agilidade. Logo após o depoimento de Eira, os investigadores se apressaram a pedir ao relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, autorização para fazer as buscas na Câmara. A autorização foi assinada pelo ministro na tarde de segunda-feira. No início da noite, os procuradores, um oficial de justiça e técnicos da Procuradoria-Geral da República foram ao departamento de informática da Câmara cumprir a busca. A ação prosseguiu pela madrugada de terça-feira e foi retomada na tarde seguinte.

O material coletado no departamento de informática foi levado na mesma tarde ao Supremo e enviado na noite de quarta à Procuradoria-Geral. /COLABOROU NIVALDO SOUZA

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