Ex-diretor de Furnas diz à Polícia Federal que lista é falsa

O ex-diretor de Furnas Centrais Elétricas, Dimas Toledo, negou todas as acusações de irregularidades em relação a seu período na empresa, durante depoimento de cerca de cinco horas na sede regional da Polícia Federal, no Rio. A suposta lista, cuja autoria seria atribuída a Dimas, envolveria o repasse de recursos a 156 políticos de diversos partidos, incluindo o PSDB e o PFL. Em depoimento aos delegados Pedro Ribeiro e Praxiteles Praxedes, que vieram de Brasília para ouvi-lo, ele negou ter dado R$ 75 mil ao deputado Roberto Jefferson como contribuição clandestina de campanha; negou ter operado um caixa 2 eleitoral na estatal e negou que seja autêntica a lista com nomes de 156 políticos que teriam recebido dinheiro do esquema clandestino supostamente montado na empresa. Ao sair da sede da PF, Dimas se recusou a dar entrevista, e designou seu advogado Rogerio Marcolini para dar falar em seu nome. "A lista é falsa", disse Marcolini. Segundo ele, seu cliente negou todas as acusações e está à disposição da Polícia para esclarecimentos. O depoimento foi prestado um dia depois do ex-deputado Roberto Jefferson revelar ao Estado novos detalhes da lista de Furnas. Na entrevista, Jefferson concluiu não ter certeza sobre a existência da lista. "Não vou acusar amigos. No que me toca é verdadeira." Apesar da dúvida, o ex-deputado afirmou que Dimas o procurou em sua casa, em abril do ano passado, e propôs pagar R$ 1,5 milhão mensais ao PTB, à época presidido por ele, em troca da própria permanência no cargo. "No total eram R$ 4 milhões. R$ 1,5 milhão para o PT e R$ 1,5 milhão para o PTB, mensais, além de R$ 400 mil para as despesas de diretoria que o Dimas teria. Outros R$ 600 mil eram para o grupo dos 12 do PSDB", afirmou o ex-deputado. Segundo ele, o "grupo dos 12" recebia os recursos mediante acordo com o então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu - hoje também deputado cassado - para que colaborasse com o governo. Não existeEm Belo Horizonte, o presidente de Furnas Centrais Elétricas, José Pedro Rodrigues de Oliveira, negou, em Belo Horizonte, a existência de um suposto esquema de caixa 2 na companhia para financiar campanhas eleitorais em 2002. "Não existe lista de Furnas, esta lista é de quem quiser, menos de Furnas", afirmou.Segundo Rodrigues, "Furnas é uma empresa seríssima, que criou uma comissão de sindicância para a apuração do caso, no dia em que a primeira denúncia foi feita". O resultado da apuração, de acordo com ele, foi entregue pessoalmente ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, ao diretor-presidente da Controladoria Geral da União (CGU) e ao presidente do Tribunal de Contas da União (TCU)."Esta lista não é de Furnas, este é um nome inadequado e cabe ao denunciante responder". Ele não quis responder sobre a autenticidade da assinatura do ex-diretor no documento. "Não conheço a lista e como as autoridades estão analisando, cabe a elas decidir sobre isso". O executivo negou a existência de caixa 2 na estatal. "Qualquer empresa que se diga organizada nesse país não pode, pelas leis brasileiras, ter caixa 2".Rodrigues esteve em Belo Horizonte para participar de uma solenidade de transferência de 40% de participação da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) à Furnas na Usina Foz do Chapecó.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.