Ex-diretor de editora da UnB diz que apenas atendia à reitoria

Alexandre Lima defendeu-se de acusações de que editora teria gastado cerca de R$ 370 mil em eventos

Agência Senado

23 de abril de 2008 | 17h47

Em depoimento na CPI das ONGs nesta quarta-feira, 23, o ex-diretor da Editora da Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Lima defendeu-se de acusações de que a editora teria gastado cerca de R$ 370 mil em recepções, decorações e viagens para eventos em 2007. Respondendo a questionamentos do relator da CPI, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), Alexandre Lima garantiu que apenas recebia as demandas da reitoria e repassava os pedidos à Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico na Área de Saúde (Funsaúde), que pagava as contas.  Os recursos supostamente desviados seriam, de acordo com denúncias do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público (MP), oriundos de convênio firmado pela Funsaúde para executar projetos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Alexandre Lima foi gestor de três convênios firmados entre essas instituições e a Fundação Universidade de Brasília (FUB), no valor total de R$ 64 milhões.  Alexandre Lima contou que, em 2004, a UnB foi convidada a participar de um convênio com a Funasa, diante da desistência de outras instituições que administravam a saúde indígena, como atividade complementar da universidade. Garantiu que o trabalho era supervisionado pela parte técnica da universidade e que todas as prestações de conta eram feitas ao Conselho Indígena de Saúde da Funasa. Ainda respondendo ao relator, Alexandre Lima confirmou que a mulher dele trabalha como terceirizada na editora, mas que já era funcionária do órgão há mais de dez anos quando se casaram. Alexandre Lima garantiu que a maior parte dos recursos recebidos pela editora era gasta na atividade-fim, ou seja, na publicação de livros, mas que 2% do total de recursos do órgão ficavam retidos pela UnB como fundo de apoio institucional. Disse que sobre esses recursos a "editora não tem nenhum controle". Alexandre Lima acredita que os recursos eram do fundo de apoio institucional e que caberia à Funsaúde examinar o mérito dos gastos. "Eu apenas ordenava as despesas, não tive participação em nenhuma das compras. Para mim, eram recursos próprios da universidade. Se fosse dinheiro do convênio, as contas seriam glosadas",  disse.  O ex-diretor da Editora da UnB afirmou ainda que em 2007 apenas 1,97% do que foi arrecadado pela editora foi gasto com passagens aéreas. Alexandre Lima garantiu que todas as passagens compradas tinham relação direta com projetos da editora, como projetos de ensino a distância e também convênios da Funasa, que exigiam deslocamentos para Boa Vista.  Durante o depoimento, Alexandre Lima contou ser funcionário concursado da universidade e disse que sempre trabalhou na editora. Afirmou que a editora era mantida até 1993 com dinheiro oriundo do orçamento da UnB. Dessa época para cá, o órgão passou a ser bancado com recursos de parcerias estratégicas e com a montagem de uma "rede de comercialização agressiva". Segundo ele, de 1993 a 2005, a editora publicou mais de 800 títulos.

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